O projeto de poder da família Motta-Wanderley: a estratégia que busca ampliar influência política na Paraíba

A pré-campanha de Nabor Wanderley ao Senado Federal vem chamando a atenção pelo alcance da articulação política construída em poucos meses. Após renunciar à Prefeitura de Patos para disputar uma […]



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A pré-campanha de Nabor Wanderley ao Senado Federal vem chamando a atenção pelo alcance da articulação política construída em poucos meses. Após renunciar à Prefeitura de Patos para disputar uma vaga no Senado, o ex-prefeito passou a percorrer o estado em uma intensa agenda de reuniões e encontros com lideranças municipais.

O próprio Nabor anunciou contar com o apoio de mais de 160 prefeitos paraibanos, número que, se confirmado nas convenções partidárias, representa uma das maiores bases municipais já reunidas por um pré-candidato ao Senado no estado. Essa estrutura fortalece sua posição na disputa e amplia o peso político do grupo liderado pela família Motta-Wanderley.

A estratégia, no entanto, vai além da candidatura ao Senado. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, filho de Nabor, deverá disputar a reeleição para a Câmara Federal. Ao mesmo tempo, Olívia Motta foi lançada como pré-candidata a deputada estadual, consolidando um projeto político familiar que busca ocupar espaços simultaneamente em Brasília e na Assembleia Legislativa da Paraíba. A deputada estadual Francisca Motta, avó de Olívia, diante da idade avançada, vê na neta a sucessão e a preparação para ocupar novos cargos após ser, possivelmente, eleita em 2026. 

O crescimento desse grupo reacende um debate recorrente na política paraibana: a concentração de poder em famílias tradicionais. Estudos e levantamentos sobre a política estadual apontam que a Paraíba possui histórico marcante de grupos familiares exercendo influência contínua sobre cargos eletivos, e a família Wanderley-Motta figura entre os principais exemplos desse fenômeno. 

Além da força eleitoral, o grupo também convive com controvérsias. Nabor Wanderley responde a ações judiciais relacionadas à sua atuação administrativa. Entre elas, houve condenação em primeira instância por improbidade administrativa em processo envolvendo contratações de servidores, além de ter seu nome citado em investigação baseada em proposta de colaboração premiada relacionada à Operação Desumanidade. Nabor negou as acusações, afirmou não ter participado de irregularidades e contestou as imputações.

Enquanto adversários afirmam que a ampla estrutura política e o intenso ritmo da pré-campanha demonstram um projeto de concentração de poder, aliados sustentam que o apoio recebido é resultado da experiência administrativa e da capacidade de articulação construída por Nabor ao longo de sua trajetória pública, tendo o deputado federal Hugo Motta como peça chave nas articulações entre os prefeitos.

À medida que a campanha de 2026 avança, a disputa pelo Senado promete colocar em debate não apenas propostas para a Paraíba, mas também o modelo de representação política baseado em grupos familiares tradicionais e na forte influência sobre prefeitos e lideranças municipais.

Nabor Wanderley, que estava no 4º mandato como prefeito de Patos, renunciou e deixou o vice-prefeito Jacob Souto em seu lugar. Jacob, por sua vez, deixou o partido Rede Sustentabilidade, onde esteve por 10 anos, e passou a ser presidente do Republicanos, partido que tem o filho de Nabor como presidente no Estado da Paraíba. Há quem diga que Jacob é quem está na cadeira de prefeito, mas quem manda é Nabor Wanderley, que mantém todos aqueles de sua confiança em cargos estratégicos na gestão municipal.

Com uma campanha multimilionária, a família Motta/Wanderley aposta alto para consolidar o pai, Nabor Wanderley, e seus dois filhos: Hugo e Olívia, como uma das maiores oligarquias na política na Paraíba.