Paraíba ocupa 2º lugar em estupros de mulheres no NE; Média de vítimas entre vulneráveis é de 3 por dia

Registros oficiais podem não expressar tamanho real da gravidade devido a casos subnotificados



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A Paraíba enfrenta um cenário preocupante no que diz respeito à violência sexual. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam que, entre janeiro e abril de 2026, ao menos 79 mulheres foram vítimas de estupro no estado — o que representa, em média, quase uma vítima por dia.

O mês mais violento foi março, com 28 casos registrados, seguido de abril (21), janeiro (20) e fevereiro (15). Apesar da gravidade dos números, houve uma leve redução em comparação com o mesmo período de 2025, quando 85 mulheres foram vítimas desse tipo de crime.

No contexto regional, a Paraíba ocupa uma posição crítica: é o segundo estado do Nordeste com maior número proporcional de casos, ficando atrás apenas da Bahia, que registrou 387 ocorrências no mesmo período. Pernambuco aparece em seguida, com 182 casos, seguido pelo Maranhão (127), Rio Grande do Norte (102) e Ceará (101).

O dado mais alarmante, no entanto, está relacionado aos estupros de vulneráveis. Nos primeiros quatro meses de 2026, foram registrados 372 casos na Paraíba — uma média de três vítimas por dia. O número evidencia a gravidade da violência contra crianças e adolescentes, principais alvos desse tipo de crime.

Casos notificados são ponta do iceberg

A dimensão do problema, no entanto, pode ser ainda maior do que indicam os números oficiais. Estudos apontam que a subnotificação da violência sexual no Brasil é elevada e que menos de 10% dos casos chegam a ser registrados pelas autoridades. Isso significa que a grande maioria das ocorrências permanece invisível, fora das estatísticas, o que reforça que os dados disponíveis representam apenas uma parcela da realidade.

Entre as vítimas vulneráveis, a subnotificação tende a ser ainda mais acentuada. Especialistas destacam que, na maioria dos casos, a violência ocorre dentro do ambiente familiar ou envolve pessoas próximas, o que dificulta a denúncia. Fatores como medo, dependência emocional, vergonha e até a falta de compreensão sobre a violência contribuem para o silêncio das vítimas, ampliando a chamada “cifra oculta” e agravando ainda mais o cenário.

Os dados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes, fortalecimento das redes de proteção e ampliação de canais de denúncia, além de ações educativas que combatam a cultura da violência e garantam segurança para mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade.