O senador Renan Calheiros elevou o tom das denúncias envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, durante a 13ª reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), realizada na última terça-feira (12), no Senado Federal, ao tratar das investigações sobre o Banco Master.
O destaque da fala do senador foi a menção a um suposto empréstimo de R$ 140 milhões concedido pelo Banco Master à uma cunhada de Hugo Motta. Segundo Renan Calheiros, o valor teria sido liberado sob a justificativa de operação financeira, mas não teria sido pago, nem sequer cobrado pela instituição, levantando suspeitas sobre favorecimento.
Para o senador, esse episódio supera, em gravidade, outros fatos investigados recentemente por órgãos como a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal, justamente por envolver, segundo ele, uma operação concreta e já consumada.
Renan também vinculou o caso à suposta atuação de Hugo Motta na aprovação de uma emenda que teria direcionado recursos de fundos de previdência e pensão para o Banco Master, o que, em sua avaliação, reforçaria a existência de um ambiente de favorecimento institucional ao banco.
As declarações do senador se somam a informações já divulgadas amplamente pela mídia em março sobre uma operação envolvendo uma cunhada de Hugo Motta e a instituição bancária investigada. Segundo reportagem da Folha de São Paulo, a empresária Bianca Medeiros formalizou em 2024 um empréstimo de R$ 22 milhões junto ao Banco Master.
De acordo com os dados, o valor foi utilizado como parte da compra de um terreno de mais de 400 hectares em João Pessoa, destinado à criação de um novo bairro. A operação chamou atenção porque a garantia apresentada envolvia cotas empresariais de valor muito inferior ao montante do empréstimo.
Ainda segundo as informações, a empresária negou qualquer tipo de favorecimento decorrente de vínculo familiar, enquanto Hugo Motta também afirmou não possuir relação financeira direta com o Banco Master.
Durante a sessão, Renan Calheiros afirmou que o caso do Banco Master está em “escalada”, com o surgimento contínuo de novos envolvidos e episódios que, segundo ele, seriam cada vez mais graves.