A advogada e professora universitária Gerlania Medeiros divulgou um vídeo em uma rede social nesta quinta-feira (8), onde comenta as declarações do ex-vereador de Patos, Josmá Oliveira, que publicou gravação acusando professores e alunos de instituições de ensino superior de promoverem movimentos políticos de esquerda favoráveis ao presidente Lula.
No pronunciamento, Gerlania afirma ter ligação profissional com duas das instituições mencionadas: o Instituto Federal da Paraíba (IFPB), hoje IF Sertão, no campus de Patos, e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Ela manifestou preocupação com as acusações dirigidas ao corpo docente e defendeu o respeito às instituições públicas de ensino e à atuação dos professores.
Antes de abordar a questão sob a perspectiva da educação, a docente destacou sua formação jurídica e lembrou que cabe a quem acusa apresentar provas. “A regra é que quem acusa deve provar. O ônus da prova”, declarou.
Gerlania também argumentou que eventuais denúncias devem ser encaminhadas às autoridades competentes, citando a polícia e o Ministério Público Eleitoral, entre outros órgãos responsáveis pela apuração. “O espaço para denunciar, averiguar e abrir inquéritos não são as redes sociais”, afirmou.
Professora questiona postura do ex-vereador
Ao contestar as declarações de Josmá Oliveira, Gerlania questionou o que considera uma contradição na postura do ex-vereador. Ela lembrou que, há quatro anos, ele participou de manifestações em defesa da auditoria das urnas eletrônicas, motivadas pela insatisfação com o resultado eleitoral, e comparou aquela mobilização às atuais acusações dirigidas aos professores.
A docente criticou o que classificou como uma tentativa de constranger profissionais da educação em razão de questões políticas. “É de um desconhecimento e de uma desonestidade tão profunda você querer que agora, nos 45 do segundo tempo, o corpo docente ministre suas aulas acanhada”, declarou.
Gerlania ressaltou que o ambiente universitário deve ser um espaço de produção e compartilhamento de conhecimento, no qual os estudantes tenham acesso ao debate sobre direitos fundamentais e direitos humanos, sem que esses conteúdos sejam automaticamente tratados como manifestações partidárias.
Para reforçar o argumento, convidou Josmá Oliveira a acompanhar suas atividades acadêmicas. “Eu lhe convido para assistir às minhas aulas de Direito Administrativo, para estudarmos como funciona a administração pública”, afirmou. Ela também mencionou as aulas sobre direitos fundamentais e direitos humanos, destacando que esses temas “não deveriam ser questões ideológicas”.
Liberdade de pensamento e escolha dos estudantes
Gerlania defendeu que as universidades devem assegurar a liberdade de ensinar e aprender, sem intimidação política. Para ela, a formação acadêmica pressupõe o contato com diferentes conhecimentos e a possibilidade de reflexão crítica, sem que professores sejam pressionados a limitar suas atividades por receio de acusações públicas.
A professora também ressaltou que os estudantes devem ter autonomia para decidir seus votos, sem imposições dentro das instituições de ensino. “Eu peço para que todos os meus alunos tenham a liberdade de escolher seus votos”, declarou, acrescentando que essa liberdade deve estar acompanhada de conhecimento sobre as questões em debate.
Ao rejeitar a possibilidade de exercer sua profissão sob constrangimento, Gerlania foi enfática: “Comigo não vai colar”.
A advogada concluiu o pronunciamento reafirmando sua defesa da educação e da liberdade acadêmica. “Não, o espaço acadêmico não deve ser um espaço de ideologia, de repressão. Ao contrário, é isso que a gente ensina, conhecimento, porque só o conhecimento liberta”, afirmou.