A campanha eleitoral na Paraíba ganhou novos contornos jurídicos com o avanço de duas frentes envolvendo o deputado federal Hugo Motta (Republicanos) e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O embate, que já vinha sendo explorado no campo político, agora está sob análise da Justiça Eleitoral.
De um lado, Hugo Motta acionou o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) pedindo a retirada imediata de conteúdos divulgados nas redes sociais do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). As publicações questionam quem seria “o candidato do Banco Master” no estado, fazendo associação indireta ao grupo político do deputado.
Na representação, a defesa de Motta sustenta que o material promove uma ligação indevida entre o parlamentar, o banco e supostos pagamentos para obtenção de apoios políticos, o que, segundo ele, configuraria propaganda irregular com potencial de dano à imagem.
Do outro lado, a reação veio em forma de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) protocolada pela assessoria jurídica de Veneziano. A ação pede a cassação do registro ou eventual diploma do candidato ao Senado Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Hugo Motta, além da aplicação de penalidades também contra o deputado, sob alegação de uso de recursos de origem ilícita com impacto eleitoral.
A AIJE afirma que há lastro técnico nas acusações e que não se trata de mera especulação. Segundo o documento, foram utilizadas informações oriundas de perícia com cadeia de custódia documentada, incluindo dados extraídos do aparelho celular de Daniel Vorcaro, analisado pela Polícia Federal.
Entre os pontos destacados está a suposta relação de proximidade entre Hugo Motta e o banqueiro, descrita como de “acesso privilegiado”. A ação também menciona mensagens que indicariam pedido de liberação de crédito em favor de uma empresa ligada à família do parlamentar.
De acordo com a peça, uma operação envolvendo a empresária Bianca Medeiros, cunhada de Motta, teria resultado na contratação de um empréstimo de R$ 22 milhões junto ao Banco Master, utilizado posteriormente na aquisição de um terreno de alto valor em João Pessoa. O caso é citado como um dos elementos sob análise das autoridades.
Outro eixo da ação envolve declarações do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que, em comissão do Senado, levantou suspeitas sobre operações financeiras envolvendo o banco e a família Vorcaro, além de uma emenda legislativa apresentada por Hugo Motta que, segundo a acusação, poderia beneficiar interesses ligados ao setor de crédito de carbono.
A AIJE também insere o nome de Nabor Wanderley no contexto, apontando que Hugo Motta atua como coordenador executivo da campanha do pai ao Senado. O documento sustenta que a ampla adesão de prefeitos paraibanos à candidatura, estimada em cerca de 180 gestores, seria um movimento atípico, que demandaria apuração quanto à origem e influência dos recursos políticos mobilizados.
Por fim, a ação afirma que o suposto fluxo financeiro investigado teria potencial para desequilibrar o cenário eleitoral no estado, ao impulsionar articulações políticas em larga escala.
Até o momento, os citados não tiveram decisão de mérito contra si nas ações em curso. O espaço segue aberto para manifestação das partes envolvidas.