Corredora morre após prova no Sertão: Por que caso deve preocupar participantes de corridas de rua?

Histórico de ocorrências, orientações médicas e nova lei sobre atestado colocam segurança em foco



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A morte da empresária e corredora Nataly Alves, de 40 anos, após uma corrida realizada no último sábado (4), no município de São José de Piranhas, no Sertão da Paraíba, trouxe novamente à tona os riscos associados às provas de rua. A atleta passou mal logo após concluir o percurso, chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

O caso mais recente se soma a outros episódios semelhantes no estado. Em novembro de 2025, um corredor de 48 anos morreu após sofrer um mal súbito depois de participar de uma meia maratona na orla de João Pessoa, mesmo após cerca de uma hora de tentativas de reanimação pelas equipes médicas . Ainda naquele ano, durante outra prova na capital, a aposentada Maria Lopes Ribeiro, de 76 anos, também morreu após passar mal no percurso, apesar do atendimento prestado por corredores e equipes de saúde .

Especialistas em medicina esportiva apontam que a maioria desses casos está relacionada a eventos cardiovasculares agudos, muitas vezes silenciosos. Segundo orientações de entidades médicas e portais especializados em corrida, a principal forma de prevenção é a realização de avaliação clínica antes de iniciar treinos intensos, incluindo exames como eletrocardiograma e teste ergométrico, além de acompanhamento regular de um profissional de saúde .

Além disso, profissionais destacam que fatores como desidratação, excesso de esforço e falta de preparo físico adequado aumentam significativamente o risco de mal súbito. Entre as recomendações estão respeitar os limites do corpo, manter hidratação adequada antes, durante e após a prova, evitar correr sob condições extremas de calor e interromper a atividade ao menor sinal de tontura, dor no peito ou falta de ar.

Diante da recorrência de casos, a Paraíba passou a adotar medidas legais mais rígidas. Uma lei publicada em maio de 2026 passava a exigir que corredores apresentem laudo médico para participar de provas de meia maratona e maratona no estado. O documento deveria atestar aptidão física e ter sido emitido há, no máximo, seis meses. No entanto, a ALPB alterou a lei na última sexta-feira (3), exigindo apenas um termo de responsabilidade assinado pelo próprio participante, para os eventos com percursos a partir de 15 quilômetros.

A legislação também obriga organizadores a oferecer suporte médico adequado durante os eventos, como ambulâncias e equipes de atendimento ao longo do percurso. Apesar disso, especialistas alertam que o atestado, por si só, não elimina riscos, reforçando que a prevenção depende de preparo contínuo, responsabilidade individual e estrutura eficiente das provas.