A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) está preocupada com o impacto negativo de vídeos publicados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) feitas por moradores do Nordeste. A avaliação entre aliados do senador é que a iniciativa, planejada para reduzir a vantagem eleitoral do petista na região, pode acabar fortalecendo sua candidatura às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).
Segundo informações do jornalista Valdo Cruz, do G1, divulgadas nesta sexta-feira (23), integrantes da campanha de Flávio classificaram a estratégia de Nikolas como um “erro”. O material, inicialmente considerado uma oportunidade de ampliar a presença do candidato do PL entre os eleitores nordestinos, provocou reações negativas e passou a ser visto como um possível fator de desgaste eleitoral.
A principal crítica está relacionada à escolha dos entrevistados apresentados pelo deputado. Alguns dos personagens utilizados nos vídeos possuem condições financeiras incompatíveis com o perfil que Nikolas buscou retratar. Entre os exemplos explorados por adversários de Flávio Bolsonaro estão pessoas que possuem uma Hilux, caminhonete da Toyota de alto valor comercial.
De acordo com um assessor do senador ouvido por Valdo Cruz, a intenção de Nikolas era contribuir para a redução da vantagem de Lula no Nordeste, região considerada estratégica para o resultado da disputa presidencial. No entanto, a repercussão das publicações pode produzir justamente o efeito oposto, prejudicando a tentativa de Flávio de conquistar novos votos.
A campanha de Lula passou a explorar politicamente o episódio, argumentando que a abordagem adotada pelo parlamentar depreciou o eleitor nordestino. A reação busca reforçar a identificação do presidente com a população da região e neutralizar a ofensiva de seus adversários nas redes sociais.
O desgaste ocorre em um momento particularmente delicado para Flávio Bolsonaro. Com a disputa presidencial empatada nas pesquisas, qualquer movimentação capaz de alterar o comportamento de parcelas do eleitorado pode ter consequências importantes para o resultado das urnas.
Campanhas divergem sobre tendência das pesquisas
Levantamento do Datafolha citado pela reportagem aponta empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, ambos com 50% dos votos válidos no segundo turno. Apesar da igualdade numérica, as duas campanhas apresentam avaliações diferentes sobre a evolução da disputa.
Entre os aliados de Flávio, a interpretação é que a manutenção do empate nas pesquisas divulgadas na véspera da votação, sábado (24), poderia indicar condições favoráveis à vitória do senador. A equipe do candidato do PL considera que ele terá maiores chances de vencer caso chegue ao domingo sem ficar atrás do presidente nos levantamentos eleitorais.
No campo governista, a leitura é diferente. Assessores de Lula avaliam que o presidente apresenta uma trajetória gradual de recuperação das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro demonstra sinais de estabilização. A expectativa é que essa tendência permita ao petista aparecer numericamente à frente do adversário nas pesquisas de sábado.
A avaliação dos integrantes da campanha presidencial é que uma vantagem na última rodada de levantamentos fortaleceria as perspectivas de reeleição de Lula, especialmente diante do equilíbrio registrado na reta final.
Nordeste, Bolsa Família e Minas Gerais são apostas de Lula
A estratégia da campanha petista para os últimos dias está concentrada em segmentos do eleitorado considerados decisivos para a vitória. Entre as principais apostas estão a ampliação do apoio a Lula no Nordeste, o fortalecimento de sua votação entre os beneficiários do Bolsa Família e a conquista de mais eleitores em Minas Gerais.
Nesse cenário, a repercussão negativa dos vídeos de Nikolas Ferreira ganhou importância adicional. A iniciativa do deputado tinha como objetivo atingir justamente uma das bases eleitorais mais relevantes do presidente, mas passou a ser interpretada por integrantes da campanha de Flávio como uma ação potencialmente prejudicial.
Nas redes, explodiram vídeos fazendo sátira de Nikolas.
Para os aliados de Lula, o crescimento do presidente nesses segmentos, combinado com a estabilização das intenções de voto de Flávio, poderia criar condições favoráveis à vitória no domingo.
O Nordeste ocupa posição central nessa disputa por concentrar um eleitorado expressivo e historicamente favorável ao petista. Minas Gerais também é tratado como território estratégico pelas duas campanhas, diante de seu peso eleitoral e da possibilidade de influenciar o resultado nacional.