Na manhã desta quarta-feira (28), durante entrevista ao Programa Fala Cidade, da Rádio Universidade FM de Patos, o pré-candidato a deputado estadual pela Unidade Popular (UP), Jozivan Antero, apresentou uma análise crítica do cenário político brasileiro, com ênfase no comportamento do eleitorado, na influência das redes sociais e nas desigualdades estruturais que impactam o processo eleitoral.
Logo no início da entrevista, Jozivan destacou o que considera uma distorção no debate público. “Temos uma sociedade, infelizmente, onde muitas pessoas não discutem a política, discutem as eleições”, afirmou. Para ele, o debate político tem sido reduzido a uma lógica de polarização superficial, comparável a disputas esportivas. “É como um Fla-Flu”, disse, ao criticar a ausência de discussões mais profundas sobre projetos de sociedade.
O pré-candidato também chamou atenção para o papel das redes sociais na formação da opinião pública, apontando limitações estruturais desses espaços. “As redes sociais dão uma grande contribuição, só que não são nossas. O algoritmo é quem manda, é o Zuckerberg quem determina”, declarou, sugerindo que há barreiras para a circulação de discursos alternativos.
Ao analisar o crescimento de partidos de extrema direita no Brasil, Jozivan atribuiu o fenômeno à ausência de uma esquerda mais conectada com as demandas populares. Segundo ele, “esses partidos cresceram justamente na lacuna que foi deixada pelos partidos ditos de esquerda”. Ele também fez críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT), afirmando que a legenda teria se distanciado de suas origens ideológicas.
Durante a entrevista, Jozivan abordou ainda a influência das oligarquias locais na política paraibana, destacando que estruturas tradicionais de poder continuam concentrando recursos e espaço midiático, o que dificulta a ascensão de candidaturas populares. Ele ressaltou que há uma desigualdade significativa não apenas econômica, mas também no acesso aos meios de comunicação durante o processo eleitoral.
Nesse contexto, o pré-candidato defendeu a necessidade de estratégias alternativas para ampliar o alcance do partido. “A gente tem que ser estrategista, saber como chegar”, afirmou, reconhecendo os desafios enfrentados por legendas como a UP, sem tempo de televisão e menos recursos financeiros.
Jozivan também relacionou o crescimento da Unidade Popular ao aumento da insatisfação popular com a classe política e às perdas de direitos trabalhistas nos últimos anos. Para ele, esse cenário tem impulsionado a busca por alternativas mais alinhadas com as pautas da classe trabalhadora.
Com uma trajetória iniciada ainda na juventude no movimento estudantil, o pré-candidato destacou sua experiência em mobilização social e sindical. Atualmente diretor do Sinfemp e vice-presidente da Unidade Popular na Paraíba e em Patos, ele afirmou estar disposto a enfrentar os desafios de uma campanha eleitoral, mesmo com prejuízos pessoais. “Vai ter perdas salariais, porque quem se candidata não ganha mais dinheiro, perde. Faz parte do jogo político”, pontuou.
Encerrando sua participação, Jozivan reafirmou seu compromisso com uma atuação política pautada por princípios éticos e conexão com as bases populares. “Quero participar do jogo político da melhor forma, com o melhor caminho, com a melhor forma de moral”, concluiu.