A política, quando se afasta da realidade concreta das pessoas, passa a operar mais no campo da narrativa do que da ação. E é exatamente essa impressão que se projeta sobre a postura do deputado federal Hugo Motta diante das recentes enchentes que atingiram a Paraíba, que deixaram milhares de desabrigados e uma crise humanitária que exige mais do que palavras.
Em entrevista a uma rádio de João Pessoa, o parlamentar mencionou uma reunião entre um ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva e prefeitos de cidades afetadas. No entanto, não confirmou sua própria presença no encontro. Ainda assim, parte da cobertura local sugeriu sua participação, o que não se concretizou. A construção dessa ambiguidade, ainda que não explicitamente afirmada, contribui para uma percepção de protagonismo que, na prática, não se verificou.
Enquanto isso, a resposta pública direta do deputado limitou-se a um vídeo tardio, postado apenas nesta segunda-feira (5), com declarações genéricas de solidariedade e disponibilidade. Em momentos de crise aguda, esse tipo de manifestação, embora simbólica, revela-se insuficiente quando não acompanhada de medidas concretas, articulação institucional ou presença ativa nos territórios atingidos.
A crítica ganha contornos mais sensíveis quando se observa o contraste entre a gravidade da situação no estado e a agenda pessoal do parlamentar. Uma reportagem do site ICL Notícias destacou que, no último sábado , enquanto a tragédia se agravava na Paraíba, Hugo Motta esteve presente no show da cantora Shakira, no Rio de Janeiro. Evidentemente, homens públicos têm direito à vida privada. Mas a questão que se impõe é de prioridade e senso de responsabilidade em contextos excepcionais.
Ser representante eleito implica mais do que ocupar um cargo: pressupõe compromisso ativo com a população, especialmente em momentos críticos. Não se trata de exigir onipresença, mas de esperar coerência entre o discurso e a prática, entre a gravidade dos eventos e a postura adotada.
Quando a resposta institucional se dilui em declarações vagas e associações indiretas a ações governamentais, o risco é transformar a política em um exercício de aparência. E, para quem enfrenta perdas reais de casa, de sustento, de dignidade, isso não é apenas insuficiente. É profundamente frustrante.
Wanessa Meira – Polêmica Patos