PF investiga entrada de bagagens sem fiscalização em voo com Hugo Motta e empresário ligado à CPI das Bets

Caso envolve aeronave do empresário Fernando Oliveira Lima e apura possível facilitação de contrabando após desembarque em aeroporto executivo de São Paulo



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A Polícia Federal do Brasil abriu investigação para apurar a entrada de bagagens no país sem fiscalização no São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, em 20 de abril de 2025. O caso ganhou repercussão nacional por envolver passageiros com forte influência política, entre eles o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, além do empresário Fernando Oliveira Lima, que já foi alvo de investigação na CPI das Bets.

De acordo com as informações levantadas pela PF, o voo partiu da ilha de São Martinho, no Caribe, e chegou ao Brasil em uma aeronave particular pertencente a Fernando Oliveira Lima. Também estavam a bordo o senador Ciro Nogueira e os deputados federais Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões.

Durante o desembarque, o piloto José Jorge de Oliveira Júnior teria passado duas vezes pelo setor de fiscalização. Na primeira, duas bagagens foram devidamente submetidas ao raio-X. No entanto, minutos depois, ele retornou com cinco volumes adicionais, que não passaram por qualquer tipo de inspeção. A suspeita dos investigadores é de que o auditor fiscal Marco Antônio Canella tenha autorizado a passagem das bagagens fora do procedimento padrão, o que pode configurar os crimes de prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho.

O envolvimento de Fernando Oliveira Lima amplia o interesse sobre o caso. O empresário já esteve no centro das atenções durante a investigação conduzida pela CPI das Bets no Senado Federal do Brasil. Na ocasião, ele foi apontado como representante do jogo “Fortune Tiger”, conhecido como “Jogo do Tigrinho”, suspeito de irregularidades e possível lavagem de dinheiro. Em depoimento, ele negou ser proprietário da plataforma, afirmando que o jogo pertence a uma empresa estrangeira e é ofertado em seu site por meio de um agregador.

A presença de parlamentares com foro privilegiado fez com que o caso fosse encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. O material foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República. A PGR deverá avaliar se há elementos suficientes para a abertura de investigação formal contra os parlamentares ou se serão necessárias novas diligências.

A informação sobre o caso foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo. A Polícia Federal segue com as apurações para esclarecer as circunstâncias da entrada das bagagens no país e verificar eventuais responsabilidades administrativas e criminais dos envolvidos.