Em Patos, mais fios soltos e um incidente que poderia ser fatal: Quem será responsabilizado?

Além do risco causado pela fiação exposta, o motociclista denunciou o estado precário da via, marcada por inúmeros buracos



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O jovem Bruno Oliveira, de 37 anos, passou por um incidente que poderia ter custado a sua vida, na manhã desta quinta-feira (11) ao ser surpreendido por fios pendurados enquanto pilotava sua motocicleta rumo ao trabalho. O acidente ocorreu por volta das 6h45, em frente à Fazenda/Haras Santa Clara, na entrada do bairro Luar de Angelita, em Patos, área de grande fluxo de veículos e pedestres.

Segundo Bruno, os fios vinham do cabeamento que cruza a via e estavam soltos, atingindo sua moto e enroscando em seu corpo. “Quase caí. No momento em que freiei, senti o fio machucando a lateral do meu pescoço”, relatou. O trecho é conhecido pela intensa movimentação de motociclistas, pais levando filhos para a escola e trabalhadores no início da manhã.

Além do risco causado pela fiação exposta, o motociclista denunciou o estado precário da via, marcada por inúmeros buracos. “Já é complicado transitar de moto pelo bairro. A gente tenta pilotar nos trechos com menos buracos e acaba surpreendido com outra situação crônica da cidade”, lamentou.

Bruno fez um apelo por ações mais eficazes do poder público: “É como se nosso direito constitucional à saúde e à liberdade de ir e vir sequer existisse. Quem deveria sanar os problemas trabalha no sentido oposto aos direitos e bem-estar do cidadão.”

Irresponsabilidade que pode custar vidas

O caso levanta um problema antigo, crônico e criminosamente negligenciado: a proliferação de cabos pendurados ou partidos pelas ruas da cidade de Patos, deixados por empresas de telefonia, internet e outras que utilizam a rede aérea sem qualquer responsabilidade.

Esses cabos — muitos deles abandonados ou mal fixados — já fazem parte da paisagem urbana como se fossem normais. E o que fazem os órgãos de fiscalização? Nada. O poder público assiste passivamente ao risco diário de acidentes que podem, sim, ser fatais. O caso desta manhã é prova disso. O motociclista só não caiu porque conseguiu frear a tempo, mas saiu ferido com um corte no pescoço. E se fosse uma criança? Um idoso?

A responsabilidade também recai sobre as empresas prestadoras de serviços, que instalam seus cabos indiscriminadamente, sem padronização, sem manutenção e sem qualquer controle. Após chuvas ou ventanias, o cenário só piora: fios arrastando no chão, emaranhados perigosos em esquinas e cruzamentos. Além do risco físico, a fiação solta representa descaso com a estética urbana, com a segurança e com a vida do cidadão.

É inaceitável que em pleno 2025 ainda tratemos esse tipo de situação como algo “inevitável”. Existe legislação, existem normas técnicas, existem órgãos fiscalizadores — o que falta é ação. O que falta é responsabilização. Esperar uma tragédia para agir é, no mínimo, cumplicidade com ela.

As vítimas e a população precisam de respostas. E, principalmente, de respeito.

Por Wanessa Meira – Polêmica Patos