Se Patos fosse um tabuleiro de xadrez, o prefeito Nabor Wanderley seria um enxadrista desses que não tem a menor cerimônia de mexer nas peças alheias. Com a atitude de quem domina o jogo, ele avança, recua, troca, substitui e gira as peças do Legislativo como se estivesse reorganizando a mesa para uma partida definitiva.
A jogada mais recente foi a nomeação da vereadora Lúcia de Chica Motta como mais uma secretária executiva da prefeitura. Mal a portaria foi publicada, e pronto: Lúcia sai do Legislativo, a suplente Perla Gadelha entra em cena, e o tabuleiro ganha nova configuração.
Mas Lúcia está longe de ser a única peça rearranjada no jogo de Nabor.
Antes dela, o prefeito já havia movido o vereador Sales Júnior, que deixou sua cadeira na Câmara para assumir a Chefia de Gabinete. Outra peça, o vereador Willa da Farmácia, foi deslocado para a Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural.
Tivemos ainda o vereador Marco César, nomeado para a Secretaria de Articulação Política. Com sua saída, mais um suplente subiu ao jogo legislativo e mais uma cadeira trocou de dono.
Com quatro vereadores trocando o Legislativo pelo Executivo, o tabuleiro de Patos virou praticamente um jogo de peças móveis, onde o prefeito escolhe, a cada rodada, quem entra e quem sai do plenário. É como se a vontade do eleitor fosse, e talvez seja de fato, apenas um detalhe, um inconveniente inicial antes que o verdadeiro estrategista começasse a mover suas peças.
E é aí que mora o incômodo: o eleitor vota para que o vereador cumpra o mandato no Legislativo e não para que abandone a função e migre para o Executivo ao primeiro convite.
O voto é uma espécie de contrato silencioso e moral, um acordo firmado entre representado e representante. Mas quando o vereador troca de função com tanta naturalidade, a mensagem que passa é estranha demais para ser ignorada, soando como “Obrigado pelo voto, mas agora o prefeito precisa de mim mais do que você.”
E assim, o eleitor patoense que apertou o botão na urna acompanha tudo como um espectador, paciente e resiliente, de uma partida que não ajudou a montar. Vê suas peças sendo recolocadas no tabuleiro sem participar das decisões e, muitas vezes, sem nem entender por que as cadeiras mudam tanto de dono.
Nabor, claro, continua a mover as peças conforme a vontade. Faz castelo, promove peões, tira bispos de posição, abre caminho para torres e fortalece sua rainha administrativa. É um estrategista, sem dúvida. Mas também alguém que parece esquecer que, no jogo democrático, as peças têm dono: o eleitor.
E, no fim das contas, o que o povo deseja não é impedir o prefeito de jogar, mas garantir que o tabuleiro, e as regras, sejam respeitados.
Porque, em política, assim como no xadrez, a regra mais importante é simples: as peças devem permanecer onde foram colocadas pelo jogador que realmente importa – o povo.
Wanessa Meira – Polêmica Patos