Policial penal tira a própria vida e abre discussão sobre as condições de trabalho e de salário da categoria na Paraíba

Nesta terça-feira, dia 27 de janeiro, a policial penal Lucy Jane, de 44 anos, foi encontrada sem vida dentro de sua residência na Rua Adélia França, no Bairro do Cordeiro, […]



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Nesta terça-feira, dia 27 de janeiro, a policial penal Lucy Jane, de 44 anos, foi encontrada sem vida dentro de sua residência na Rua Adélia França, no Bairro do Cordeiro, em Guarabira (PB). Indícios são de que Lucy Jane tirou a própria vida.

A policial penal vinha enfrentando problemas de saúde mental e estava afastada do trabalho. Ela deixa dois filhos órfãos e uma família enlutada diante da tragédia.

Colegas de profissão relataram que a morte de Lucy Jane traz à tona a situação da categoria na Paraíba. A policial penal, de acordo com relatos, estava com o salário suspenso. Essa é a segunda morte em poucos dias de policial penal nas mesmas circunstâncias. No domingo, dia 11 de janeiro, a policial penal Ana Clea do Carmo da Silva, de 41 anos, também foi encontrada sem vida dentro de sua residência, em João Pessoa.

Um colega de profissão, que preferiu não se identificar, relatou que a categoria vem enfrentando muitos problemas diante do salário incompatível com a realidade e tendo que fazer plantões extras para complementar a renda, além de casos de perseguição e insatisfação com o atual secretário de Administração Penitenciária do Estado da Paraíba, que vem ignorando a situação dos policiais penais.

“…quando entramos no sistema após o concurso de 2008, o único realizado desde então até agora, éramos 2.000 e tínhamos uma população carcerária de 5.000 presos. A gente recebia um salário que era maior do que o de um sargento da polícia militar da Paraíba. Atualmente somos 1.600, temos uma população carcerária de 17.000 presos e o nosso salário é equivalente ao de um soldado da PM, temos, portanto, mais trabalho e menos valorização!”, desabafou o policial penal.

O policial penal continuou e relatou: “A gente, ao invés de tirar 8 plantões ao mês, acabamos tirando mais 8 para melhorar o salário. Ficamos, desse jeito, 16 dias do mês dentro de Unidades Prisionais, em péssimas condições e sofrendo perseguição por parte da SEAP na gestão atual, que tem uma Corregedoria que age de forma direcionada, calando e perseguindo a quem ousa falar!”.

Trabalhando em um ambiente altamente perigoso, tendo que conviver com apenados que cometeram todos os níveis de crimes, sofrendo pressão de famílias de presos e tendo, por vezes, diretores alinhados com a administração penitenciária, os policiais penais relatam estar no limite da saúde mental.

Jozivan Antero – Polêmica Patos