Um morador do bairro Novo Horizonte, em Patos (PB), enviou a redação do site Polêmica Patos na manhã desta quinta-feira (5) uma denúncia sobre a falta de energia elétrica e a instabilidade no fornecimento que se estende desde as 23h de ontem. Segundo ele, a região, próxima ao Noé Trajano, tem sofrido com quedas constantes de energia, prejudicando o descanso das famílias, o funcionamento de eletrodomésticos e atividades essenciais.
O problema tem provocado indignação na comunidade, sobretudo em meio às altas temperaturas registradas em Patos. Em um contexto de clima rigoroso, idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas ficam especialmente vulneráveis, pois dependem de eletricidade para o funcionamento de aparelhos como ar-condicionado e ventiladores, essenciais para manter condições de saúde e conforto.
De acordo com o denunciante, por volta das 1h da madrugada ele entrou em contato com a empresa responsável pelo fornecimento de energia na região, a Energisa, e foi informado por meio de protocolo que o problema seria resolvido até as 5h da manhã. No entanto, até às 10 horas a situação permanece sem solução, e não houve retorno efetivo ou esclarecimentos claros sobre a causa da falha ou previsão de normalização.
“É um desrespeito com os consumidores”, afirmou o morador. “Não há uma resposta concreta e seguimos sem energia, sem refrigeração, com alimentos estragando e sem condições adequadas de descanso.”
Debate sobre privatização e serviços essenciais
A distribuidora Energisa Paraíba, que atua no estado desde dezembro de 2000, é a sucessora da antiga SAELPA (Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba) — estatal que foi vendida em leilão de privatização no final do governo de então e passou à gestão do Grupo Energisa. A privatização envolveu a aquisição de 75% do capital votante da SAELPA por cerca de R$ 363 milhões, com financiamento do BNDES para parte do valor. Desde então, a concessionária privada passou a operar a rede de distribuição de energia elétrica em grande parte do estado da Paraíba.
A experiência brasileira com a privatização de empresas de distribuição de energia elétrica é complexa e motivo de debate entre especialistas e consumidores. Estudos acadêmicos sobre o setor apontam que a mudança de forma de propriedade não apresenta consenso absoluto sobre seus efeitos: enquanto análises de indicadores regulatórios mostram que empresas privadas podem apresentar melhor desempenho financeiro e eficiência operacional em determinados contextos, não há evidência clara de que isso se traduza automaticamente em melhor qualidade de serviço ou menores tarifas para os consumidores.
Críticos do modelo argumentam que, em setores onde não existe concorrência real — como na distribuição de energia, em que uma única empresa detém o monopólio regional — a privatização pode reduzir o incentivo a investimentos públicos e competitividade, abrindo espaço para aumento de preços e piora na infraestrutura, afetando especialmente os consumidores residenciais e vulneráveis. Movimentos sociais e setores sindicais têm defendido que a saída de empresas estatais de serviços essenciais prejudica a população, contribuindo para lucros elevados às custas de serviços mal prestados e tarifas que, em muitos casos, crescem acima da inflação média do país.
Já defensores do setor privado ressaltam que a regulação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) impõe metas de continuidade e qualidade do serviço, com mecanismos de penalização em caso de descumprimento, e que a participação privada no setor teria impulsionado investimentos e modernização das redes em várias regiões.
Enquanto isso, os moradores do Novo Horizonte aguardam uma resposta oficial da Energisa e a solução definitiva para os problemas de fornecimento que vêm afetando sua rotina e bem-estar. A expectativa é de que a concessionária forneça explicações transparentes e normalização imediata do serviço, especialmente em um momento em que as condições climáticas elevadas exigem confiabilidade no fornecimento energético.
*Com informações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e ScienceDirect