Conselheira tutelar faz texto emocionante sobre ‘Vaqueirinho’ Gerson, que morreu ao entrar em jaula de leoa, no zoo de João Pessoa

“Você tinha uma mãe esquizofrênica e uma avó também com problemas mentais, mas a sociedade, sem conhecer sua história, preferiu te jogar na jaula dos leões…”



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A conselheira tutelar que acompanhou o adolescente conhecido como “Vaquerinho Gerson” por anos resumiu, em um relato emocionado, a trajetória de um menino que, segundo ela, foi muito mais vítima do que vilão aos olhos da sociedade.

“Meu menino sem juízo, quantas vezes, na sala do Conselho Tutelar, você dizia pra mim que ia pegar um avião pra ir fazer um safári na África, para cuidar dos leões…”, recorda a conselheira. O sonho improvável do garoto quase virou tragédia: ele chegou a tentar entrar clandestinamente em um avião.

Segundo o relato, Gerson foi flagrado pelas câmeras de segurança do aeroporto após cortar uma cerca e acessar a área restrita, chegando a entrar no trem de pouso de uma aeronave da Gol. “Eu agradeci a Deus quando fui avisada pelo aeroporto que você tinha cortado a cerca e tinha entrado no trem de pouso do avião. Dei graças a Deus porque observaram pelas câmeras que havia um adolescente ali, antes que uma desgraça acontecesse…”, contou.

A conselheira afirma que acompanhou o menino por oito anos, numa rotina de tentativas constantes de garantir seus direitos e de protegê-lo de novos riscos. “Foram 8 anos acompanhando, lutando, brigando para garantir seus direitos. Quando você entrou na minha sala pela primeira vez, tinha apenas 10 anos”, relembra.

Naquela primeira vez, Gerson chegou ao Conselho Tutelar levado pela Polícia Rodoviária Federal. “Eu e a conselheira Patrícia Falcão recebemos você das mãos da PRF, pois você foi encontrado na BR…”, diz. A partir desse momento, o garoto passou a ser conhecido por toda a Rede de Proteção. “Desde então, toda a rede me procurava quando qualquer coisa acontecia com você.”

Enquanto parte da opinião pública o enxergava apenas pelas manchetes e pelas ocorrências, a conselheira diz ter conhecido outra face: a da criança marcada por uma história de abandono, fragilidades e negação de afeto. “Eu nunca consegui ver você como as redes sociais te desenhavam. Eu conheci a criança que foi destituída do poder familiar da mãe e foi impedida de ser adotada, como os outros quatro irmãos foram”, afirma.

Segundo o relato, enquanto os irmãos conseguiram uma nova família, Gerson ficou para trás em um abrigo. A justificativa, de acordo com o que foi relatado à conselheira, foi cruel: “O que a responsável pela instituição de acolhimento justificou foi: ‘quem iria adotar alguém como você?’”.

Mesmo com o histórico de conflitos e dificuldades, a conselheira diz que o desejo de Gerson era simples: voltar a ser filho. “Você só queria voltar a ser filho de sua mãe”, resume.

A mãe, no entanto, é esquizofrênica e, segundo o relato, não tinha qualquer condição de exercer o cuidado necessário. A avó, por sua vez, também enfrentaria problemas de saúde mental. Nesse cenário, a criança cresceu entre lares provisórios, ruas, instituições e olhares de reprovação.

“Você tinha uma mãe esquizofrênica e uma avó também com problemas mentais, mas a sociedade, sem conhecer sua história, preferiu te jogar na jaula dos leões…”, desabafa a conselheira, numa referência à forma como o menino passou a ser julgado, sobretudo nas redes sociais, após os episódios polêmicos envolvendo sua vida.

O relato expõe o contraste entre o discurso punitivo que ganha força nas redes e a realidade de um adolescente que, segundo quem conviveu de perto com ele, carregava uma história de abandono, sofrimento psíquico e negação de oportunidades desde a infância.

“Gerson meu menino sem juízo, quantas vzs na sala do CT vc dizia a mim q ia pegar um avião p ir p um safari na África para cuidar dos leões… Vc ainda tentou, mas eu agradeçi a Deus quando fui avisada pelo aeroporto q vc tinha cortado a cerca , e tinha entrado no trem de pouso do avião da Gol, dei graças a Deus pq observaram pelas câmeras q havia um adolescente antes q uma desgraça acontecesse… Foram 8 anos acompanhando, lutando , brigando para garantir seus direitos, quando vc entrou na minha sala pela primeira vez tinha apenas 10 anos, eu e a conselheira Patrícia Falcão recebemos vc das mãos da PRF , pois vc foi encontrado na BR… Desde então, toda a Rede de Proteção passou a me procurar quando qualquer coisa acontecia com vc… Eu nunca consegui vê vc como as redes sociais te desenhavam, eu conheçi a criança, q foi destituído do poder familiar da mãe, e foi impedido de ser adotado como os outros 4 irmãos foram, e o q a responsável pela instituição de acolhimento justificou, foi q quem iria adorar alguém como vc… Vc só queria voltar a ser filho de sua mãe, q é esquizofrênica e não tinha condições nenhuma de cuidado… Sua avó tbm com problema mentais, mas a sociedade sem conhecer sua história preferiu te jogar na jaula dos leões…”

Via Folha Paraibana