O 32º Grito dos Excluídos e Excluídas 2026 chega com um tema forte, que alerta a sociedade brasileira diante do combate às desigualdades sociais. Este ano, o movimento ecoa sob o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, mantendo hasteada a sua bandeira permanente: “Vida em Primeiro Lugar!”.
Na noite desta segunda-feira, dia 13 de julho, na sede da Pastoral da Criança, no centro de Patos, lutadores sociais se reuniram para os preparativos do Grito dos Excluídos e Excluídas que acontecerá no mês de setembro. O evento marca o contraponto no mês que celebra a Independência do Brasil.
O encontro dos lutadores sociais serviu para avaliar o grito de 2025 e elaborar o planejamento para 2026. A ideia é envolver o maior número possível de organizações e movimentos sociais para fortalecer o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas que vai acontecer em Patos e dezenas de outras cidades do país.
O movimento estrutura suas prioridades em cinco eixos fundamentais que alicerçam os protestos: terra, paz, moradia, mulheres e soberania/democracia.
É uma construção contínua. Um dos clamores da edição de 2025, por exemplo, ainda reverbera nos corredores do Congresso Nacional: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1, recentemente aprovada na Câmara dos Deputados e que agora tramita no Senado Federal. Em 2026, o movimento nacional centraliza o debate nas populações em situação de maior vulnerabilidade, lançando um olhar contundente sobre a escalada da violência e as violações de direitos.
Na próxima segunda-feira, dia 20 de julho, o encontro será ampliado com o convite sendo estendido para a sociedade em geral, sindicatos, pastorais, associações de moradores, clubes de serviços, lideranças sociais e outros setores que se somem à luta por uma sociedade de igualdade.
32º Grito dos Excluídos e Excluídas debate a chaga do feminicídio e a defesa da Vida
Os números dão forma à urgência. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontaram mais de 350 registros de feminicídio no Brasil apenas entre janeiro e março de 2026. A estatística assustadora desenha uma média de quatro mulheres mortas por dia no período — o que significa que, a cada seis horas, uma vida feminina é ceifada no país.
“Não podemos seguir com esse ódio, com essa forma de ver a vida e o corpo das mulheres como algo insignificante”
A escolha do lema, por si só, denuncia esse cenário alarmante. Em 2025, o país já havia registrado mais de 1.500 feminicídios. A pauta dialoga diretamente com a conjuntura política e econômica atual, caminhando em sintonia com a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e com as demandas históricas dos movimentos sociais por direitos básicos.
ASCOM