Áudios atribuídos ao vereador Pedro Vieira, conhecido como Pedro Sopa, de Santa Terezinha, estão provocando questionamentos por causa de declarações direcionadas a trabalhadores da empresa Britador Patos LTDA, da qual ele é proprietário. Nas gravações, enviadas em um grupo de WhatsApp dos funcionários, o parlamentar fala em oferecer alimentação diferente a petistas e bolsonaristas e afirma que os trabalhadores alinhados ao PT deverão trabalhar sob poeira, sem que a água seja ligada para amenizar as condições do ambiente.
Em uma das gravações, Pedro Sopa afirma que os trabalhadores petistas deverão comer abóbora, enquanto os bolsonaristas terão direito a churrasco e picanha. Em outro trecho, ele diz que, no dia 26, os funcionários identificados com o PT deverão trabalhar das 7h às 17h, “na poeira”, acrescentando que não ligará a água. As declarações fazem referência ao resultado da eleição presidencial e à disputa entre os apoiadores de Lula e de Flávio Bolsonaro.
As gravações também contêm expressões ofensivas contra eleitores petistas, que são chamados de “vagabundos” e comparados a animais que comem capim. Em outro áudio, o autor das falas menciona a intenção de comprar uma carga de abóboras para os trabalhadores que teriam perdido uma aposta de R$ 10 mil. O conjunto das declarações levanta questionamentos sobre o uso da posição de empregador para constranger trabalhadores em razão de suas preferências políticas.
A situação pode levantar suspeita de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. A legislação brasileira protege a liberdade de escolha do eleitor, e a Justiça do Trabalho considera irregular a prática de ameaçar, constranger ou oferecer vantagens a empregados para influenciar o voto. Caso as declarações sejam confirmadas e as ameaças estejam relacionadas à opção eleitoral dos funcionários, os fatos poderão ser apurados pelos órgãos competentes, inclusive pelo Ministério Público do Trabalho.
O episódio ganha relevância porque as falas atribuídas ao vereador não se limitam a manifestações de preferência política: elas associam a identificação partidária dos empregados a possíveis diferenças no tratamento durante o expediente, na alimentação e nas condições de trabalho. A apuração deverá esclarecer o contexto das gravações, a autenticidade dos áudios e se houve efetiva ameaça ou discriminação contra os funcionários.
Até o momento, não há informação de manifestação de Pedro Sopa sobre o conteúdo das gravações. O espaço permanece aberto para que o vereador apresente sua versão dos fatos.
OUÇA os áudios: