Um protagonismo de vanguarda ou uma pretensão amadora?

O processo eleitoral na Paraíba avança, na medida em que as articulações se intensificam e as posições das forças políticas ficam mais claras, embora não mais coerentes. O quadro de […]



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O processo eleitoral na Paraíba avança, na medida em que as articulações se intensificam e as posições das forças políticas ficam mais claras, embora não mais coerentes. O quadro de pré-candidaturas posto, particularmente com relação ao governo do estado, releva um desenho que não traz tanta novidade. Ao contrário, percebe-se a manutenção de uma disputa – salvo rara exceção, revelada adiante – que reafirma o poder oligárquico e familiar.

O mais do mesmo está representado pelas pré-candidaturas de Lucas Ribeiro (PP), Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL). Os três representam fielmente o poder oligárquico e familiar. Inclusive, esses pré-candidatos ou seus familiares foram aliados ontem, quando a conveniência particular foi favorável; hoje, são supostamente adversários. Mas o fato é que eles não têm posições claras sobre o que entregar ao povo da Paraíba e, muito menos, têm posições políticas coerentes. São velhas práticas com discursos adaptáveis.

Mas há outro segmento que chama a atenção: desta feita, refiro-me ao campo da esquerda – ou centro-esquerda. É que o intitulado pré-candidato ao governo do estado pelo Psol, Olímpio Rocha, teve seu nome aprovado pelo seu partido na Paraíba, porém, um dia depois, a federação Psol-Rede não aprovou seu nome, tendo decidido pelo apoio à pré-candidatura do governista Lucas Ribeiro. Registre-se, ainda, que o pretenso candidato Olímpio Rocha tem alegado que a única pré-candidatura de esquerda ao governo da Paraíba é a dele, tendo criado, inclusive, uma página no instagram intitulada “só tem Olímpio de esquerda”.

Disso, extraem-se duas questões importantes: 1. A dificuldade que é um partido de esquerda estabelecer federação com outro partido de corrente diversa. Embora a pretensão numérico-eleitoral seja justificável, a decisão também representa o assumimento de um grande risco de “abandonar” a linha ideológica e programática do partido, na medida em que perder uma votação interna pode significar o desmoronamento de toda uma construção política – fato que está ocorrendo neste momento com a decisão da federação Psol-Rede; 2. O segundo elemento que chama a atenção é essa “investida” de propaganda do Psol (e de seu pretenso candidato) ao autoafirmar que “só tem Olímpio de esquerda”, sugerindo uma única pré-candidatura de esquerda ao governo da Paraíba, o que é claramente uma afirmação mentirosa.

É preciso ir além: ao afirmar que “só tem Olímpio de esquerda”, essa pré-candidatura, além de desrespeitar outra pré-candidatura de esquerda, que é a de Yuri Ezequiel pelo partido Unidade Popular (UP) (esta sim, com decisão que depende exclusivamente do próprio partido e que tem tudo para ir até o fim!), o pré-candidato Olímpio e seu partido põem em xeque uma relação cordial e de camaradas que tem construído lutas necessárias ao povo da Paraíba e do Brasil, por meio de pautas conjuntas, como o fim da escala 6 x 1 (as dentre muitas outras).

De fato, não é fácil combinar, por um lado, uma atuação programática orientada por uma linha ideológica liberta das amarras das oligarquias do momento e, por outro, a pretensão de ascensão ao poder usando da conciliação com as forças que se pretende combater. Aparenta ser algo impossível. Por tudo isso, a esquerda precisa ser o mais estratégica possível para as disputas eleitorais que a levará a assumir posições de poder importantes, mas precisa, sobretudo, construir essa jornada sem abrir mão da sua razão de ser, que é o rompimento com as estruturas que mantém as elites econômicas e oligárquicas no comando.

26 de julho de 2026

Emanuel Escarião