Jozivan Antero confirma pré-candidatura a deputado estadual pela UP e defende campanha “pé no chão” na Paraíba

Em entrevista ao Pode Conversar!, militante de esquerda afirmou que pretende levar à Assembleia Legislativa pautas populares, críticas às oligarquias políticas e defesa de maior fiscalização sobre serviços públicos e […]



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Em entrevista ao Pode Conversar!, militante de esquerda afirmou que pretende levar à Assembleia Legislativa pautas populares, críticas às oligarquias políticas e defesa de maior fiscalização sobre serviços públicos e concessões no Estado.

O pré-candidato a deputado estadual Josivan Antero, da Unidade Popular (UP), participou de entrevista ao podcast Pode Conversar! e falou sobre os motivos que o levaram a mudar a rota eleitoral em 2026. Depois de disputar outros pleitos, inclusive para a Câmara Federal, ele afirmou que a decisão de buscar uma vaga na Assembleia Legislativa da Paraíba partiu de uma avaliação interna do partido e da necessidade de fortalecer uma atuação mais localizada no Estado.

Segundo Josivan, a UP tem buscado ampliar sua influência junto à população e construir candidaturas com perfil popular. “Esse ano, diante dos contextos que foram surgindo, a gente resolveu mudar essa rota e tentar uma vaga na Assembleia Legislativa da Paraíba”, declarou.

O pré-candidato afirmou que a legenda deve realizar convenções até julho e que seu nome deverá ser referendado pelo partido. Ele também destacou que a UP discute candidaturas para outros cargos, incluindo deputado federal, Senado, Governo do Estado e Presidência da República.

Ao justificar a pré-candidatura, Josivan fez críticas ao atual modelo político e eleitoral. Para ele, a democracia brasileira ainda é marcada por desigualdades profundas na disputa por cargos públicos. “A gente percebe que é uma democracia de jogo de carta marcada, com famílias oligárquicas, empresários e pessoas milionárias concorrendo aos cargos”, afirmou.

Na avaliação dele, o povo também precisa disputar esses espaços. “Não se tem só espaço para os ricos, não. O povo também tem que ter direito à vez e ao voto”, disse.

Sobre a formação da nominata da UP, Josivan reconheceu dificuldades. Ele explicou que o partido não conta com grandes estruturas financeiras nem com nomes tradicionais da política, mas sim com militantes sociais e pessoas ligadas a diferentes frentes de luta.

“A Unidade Popular é um partido que não tem grandes nomes na política. Nós temos militantes sociais”, afirmou. De acordo com ele, a legenda trabalha com uma média de cinco nomes para disputar vagas na Assembleia Legislativa, além de candidaturas para outros cargos.

Josivan também citou a professora Rosilene Santana como pré-candidata ao Senado e o advogado Iuri Ezequiel como nome ligado às discussões do partido. A estratégia, segundo ele, será fazer uma campanha direta com a população.

“A nossa ideia é fazer uma campanha de ida ao povo, ao comércio, aos serviços, porta de fábrica, periferias, mas uma campanha bem pé no chão”, declarou.

O pré-candidato afirmou que a UP não pretende seguir o modelo de pré-campanhas baseadas em grandes estruturas e adesões políticas. “A gente não tem dinheiro para estar fazendo uma pré-campanha como alguns estão fazendo. A gente vai na linha de discutir a realidade social”, disse.

Entre os temas que pretende levar à Assembleia Legislativa, Josivan apontou a necessidade de maior fiscalização sobre as políticas estaduais e sobre concessões públicas. Ele criticou a atuação da Casa Epitácio Pessoa e afirmou que o Legislativo estadual precisa discutir com mais profundidade os problemas da Paraíba.

“A Assembleia Legislativa do Estado não tem se debruçado sobre as questões mais importantes”, afirmou.

Josivan citou, entre os pontos de preocupação, a renovação da concessão dos serviços de distribuição de energia elétrica e a parceria envolvendo a Cagepa. Segundo ele, esses temas deveriam ter sido amplamente debatidos pela Assembleia.

“A Assembleia Legislativa tem que ter o poder fiscalizador do Governo do Estado da Paraíba”, disse. Para o pré-candidato, é preciso rever leis e ampliar o debate sobre a autonomia econômica do Estado, o orçamento democrático e a distribuição das riquezas.

Ele também defendeu maior atenção ao Sertão paraibano, especialmente a regiões que, segundo ele, seguem sem infraestrutura adequada e sem acesso suficiente a políticas públicas. “O Estado tem que discutir a Paraíba como um todo, de Cajazeiras a João Pessoa, de João Pessoa a Cajazeiras”, afirmou.

Questionado sobre o que diferencia sua pré-candidatura das demais colocadas em Patos e no Sertão, Josivan destacou sua trajetória nos movimentos sociais, no movimento estudantil e no movimento sindical. Ele também afirmou que não pertence a grupos oligárquicos nem a famílias tradicionais da política.

“O que nos diferencia dos demais candidatos é justamente a nossa origem. Nós temos origem nos movimentos sociais”, declarou.

Josivan disse ainda que sua atuação cotidiana está ligada às pautas populares. Ele citou participação em atos de professores, agentes comunitários de saúde, agentes de endemias e mobilizações de moradores ameaçados de despejo.

“Eu estou cotidianamente ao lado do povo, nas pautas, nas lutas, nas reivindicações”, afirmou.

Durante a entrevista, Josivan também fez um resgate de sua trajetória partidária. Ele contou que iniciou a militância no fim da década de 1990, ligado a um partido comunista revolucionário, e que ao longo dos anos teve filiações que classificou como “solidárias” em partidos como PCB, PSB e PSOL.

Em 2016, quando disputou uma vaga na Câmara Municipal de Patos pelo PSOL, Josivan afirmou ter obtido 1.218 votos, ficando entre os mais votados, mas sem conseguir se eleger por causa do desempenho partidário no coeficiente eleitoral.

“Foi uma votação expressiva, mas não fez coeficiente, não fez legenda”, relembrou.

Segundo ele, a fundação da Unidade Popular representou um divisor de águas em sua militância. “A Unidade Popular fez com que agora eu me encontrasse no partido que eu ajudo a construir diretamente”, disse.

Josivan afirmou que pretende permanecer na legenda, mesmo reconhecendo que partidos menores enfrentam mais dificuldades eleitorais. “Meu intuito não é ser eleito de qualquer forma, de qualquer jeito. Prefiro manter essa trajetória sendo independente, sem abrir mão dos meus princípios”, declarou.

Ao falar sobre a conjuntura estadual, o pré-candidato fez críticas ao cenário político da Paraíba e classificou o momento como “triste” do ponto de vista político. Ele citou disputas entre grupos tradicionais e afirmou que a UP busca se contrapor a esse modelo.

Para Josivan, a política paraibana ainda é fortemente influenciada por alianças entre oligarquias e interesses de grupos econômicos. Ele também comentou a possibilidade de diálogo com outros partidos de esquerda, como o PSOL, embora tenha apontado divergências e limitações provocadas por federações partidárias.

Em relação a Patos, Josivan foi duro nas críticas à gestão política local. Ele afirmou que a cidade vive sob influência de uma oligarquia e citou problemas como excesso de contratados, falta de transparência, obras com qualidade questionável, ausência de planejamento urbano e dificuldades de infraestrutura em bairros e conjuntos habitacionais.

“Patos é uma cidade que tem dono”, afirmou. Segundo ele, os interesses coletivos acabam ficando em segundo plano. “É uma cidade que não está a serviço do povo. Está a serviço de uma oligarquia local”, completou.

Josivan também citou problemas relacionados ao desemprego, às periferias e à terceirização de grandes eventos, como o São João. Para ele, a festa deveria ter maior participação e benefício direto para a população local.

Outro tema abordado foi a juventude. O pré-candidato afirmou estar preocupado com a falta de perspectiva, a precarização do trabalho e o impacto das redes sociais sobre os jovens. Ele citou a presença de jovens em empregos de alta rotatividade e baixos salários, além de casos de depressão, ansiedade e falta de vontade de viver.

“Grande parte da juventude hoje não tem mais perspectiva e vive numa sociedade em que os empregos são cada vez mais precários”, afirmou.

Josivan defendeu a regulamentação das redes sociais e criticou o poder das chamadas big techs. Para ele, plataformas digitais exercem influência excessiva sobre a sociedade e precisam ter limites mais claros.

“Sou a favor da regulamentação. Tudo tem que ser regulamentado”, declarou. “Nem tudo é liberdade de expressão. Existe liberdade e existe libertinagem.”

Ele também relacionou o tema ao avanço das apostas online, das fake news e da inteligência artificial. Sobre IA, Josivan afirmou que o avanço tecnológico é irreversível, mas defendeu uma discussão sobre a quem essas ferramentas servem e como podem impactar o processo eleitoral.

“A inteligência artificial chegou a um grau de desenvolvimento muito grande. Agora nós temos que saber a quem serve, a quem pertence essa inteligência artificial”, disse.

Questionado se já foi vítima de fake news, Josivan afirmou que não. Ainda assim, alertou para os riscos de montagens, manipulações e destruição de reputações no ambiente digital.

“Hoje você faz qualquer montagem de foto. Se não tiver controle nenhum, você vai acabar com a sociedade sem regras, criando e destruindo reputações”, avaliou.

Na parte final da entrevista, Josivan afirmou que não se arrepende de sua trajetória política, mas gostaria de ter se dedicado ainda mais à vida pública e às causas sociais. Ele mencionou as dificuldades impostas pela sobrevivência cotidiana, como trabalho, família e responsabilidades financeiras.

“Eu não me arrependo de muita coisa. Acho que a gente tem uma trajetória de muita coerência. Eu só queria poder ter me dedicado mais ainda”, afirmou.

Ao encerrar, o pré-candidato voltou a defender uma organização política voltada à transformação social e reafirmou sua crença no socialismo como alternativa ao modelo capitalista.

“Eu acredito muito na sociedade e na evolução da própria sociedade”, disse. “Tenho muita convicção do meu papel dentro da sociedade e do meu papel como agente político.”

Jozivan também agradeceu o espaço no Pode Conversar! e elogiou a proposta do podcast. “O Pode Conversar se transformou num espaço em que a gente, de fato, pode conversar com liberdade”, finalizou.

Entrevista Completa:

Pode Conversar