Operação Perfidus: investigadores da Polícia Civil movimentaram milhões de reais, revela quebra de sigilo

Operação teve como alvo uma organização criminosa instalada dentro da própria Polícia Civil que atuava com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.



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Os investigadores da Polícia Civil da Paraíba alvos da Operação Perfidus, deflagrada pelo DRACO e Gaeco nesta terça-feira (02), movimentaram R$ 5 milhões em quatro anos, cada um, é o que revela a análise da quebra de sigilo bancário. Como detalhou o delegado Rafael Bianchi, a quebra de sigilo bancário revelou que os gastos e o patrimônio dos investigadores são incompatíveis com as funções que exerciam.

Segundo Rafael Bianchi, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (DRACO), “cada um movimentou R$ 5 milhões aproximadamente, no período de 4 anos. Desses R$ 5 milhões eu falo em crédito livre, retirando estornos, depósito entre contas de mesma titularidade. Nós constatamos esse valor e, desse valor, mais ou menos R$ 1,5 milhão são depósitos não identificados em lotéricas ou bocas de caixa”.

Além disso, outro fato que chamou a atenção na investigação foi o alto valor em dinheiro físico resgatado em saques. “Desses valores, constatamos que eles faziam saques de aproximadamente R$ 1 milhão em dinheiro em espécie, também em caixas eletrônicos”, enfatizou o delegado Rafael Bianchi.

O delegado titular da investigação aponta ainda que “a análise fiscal também comprovou que os investigadores tinham um gasto anual no cartão de crédito que ultrapassava R$ 120 mil. Então, se somar o salário anual deles, só o cartão de crédito já fica incompatível com os gastos. Além das propriedades, carros, imóvel, os gastos diários, já demonstra uma disparidade entre os salários e o que eles estavam movimentando diariamente. Também ficou constatado que no imposto de renda que ele declara, basicamente é o salário que ele recebia. Não menciona as outras rendas que ele poderia ter”.

Como explicou o delegado da DRACO, foi feita a quebra do sigilo bancário dos investigadores. Não foi possível efetivar a quebra do sigilo bancário do delegado a tempo hábil para a investigação, segundo Rafael Bianchi.

Operação Perfidus foi deflagrada nesta terça-feira (02) tendo como alvo uma organização criminosa instalada dentro da própria Polícia Civil que atuava com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Dentre os alvos da operação está o delegado Braz Morroni e os investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”.

De acordo com as investigações, parte das drogas apreendidas em operações policiais era desviada e revendida ilegalmente para integrantes de organizações criminosas, inclusive dentro dos presídios paraibanos. Os lucros obtidos com a comercialização dos entorpecentes seriam divididos entre membros do esquema.

A operação é resultado de mais de um ano de investigação conduzida em conjunto pela Polícia Civil da Paraíba e pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba.

Ao todo, foram cumpridos oito dos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.

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