A proposta de criação de um Código de Ética e Disciplina para os agentes de trânsito de Patos provocou forte reação da categoria nesta terça-feira (19). O agente de trânsito Antônio Coelho, que também preside a AGT Brasil e o sindicato local, criticou duramente o conteúdo do projeto em declaração pública, classificando a iniciativa como uma tentativa de censura e perseguição aos servidores efetivos da STTRANS.
Segundo Coelho, o texto prevê restrições que impediriam os agentes de conceder entrevistas, se manifestar na imprensa ou mesmo se identificar publicamente como integrantes do órgão. Para ele, esse tipo de medida ultrapassa a finalidade de um código disciplinar. “Não somos contra disciplina ou um código de ética, mas não podemos aceitar censura nem perseguição a uma parcela dos servidores”, afirmou.
Outro ponto levantado pelo representante da categoria é o que ele considera um caráter “segregador” da proposta. De acordo com Coelho, o projeto seria direcionado exclusivamente aos servidores efetivos, deixando de fora cargos de chefia e outros vínculos dentro da autarquia. Ele argumenta que isso cria desequilíbrio interno e reforça a percepção de tratamento desigual.
Coelho também contestou a informação de que o projeto estaria sendo discutido com a categoria. Segundo ele, ainda não houve negociação formal com a gestão municipal, apenas um pedido de reunião com o superintendente da STTRANS. “Como encaminhar um projeto dessa magnitude sem diálogo prévio? Isso demonstra desrespeito com os agentes”, declarou.
Por fim, o sindicalista sugeriu que a iniciativa pode estar relacionada a tensões históricas entre a categoria e a gestão municipal, especialmente diante da demora na análise de demandas antigas, como a estruturação da carreira dos agentes. Ele criticou a rapidez na elaboração do código disciplinar em contraste com a lentidão em pautas consideradas prioritárias pela classe.
Ouça Antônio Coelho: