Super El Niño em formação pode ser um dos maiores já registrados e acende alerta climático para risco de estiagem severa no Nordeste

Análises sugerem que há cerca de 65% de chance de o evento atingir níveis extremos entre o fim de 2026 e o início de 2027, podendo ser um dos mais intensos já registrados da história.



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Centros meteorológicos internacionais apontam que o fenômeno popularmente chamado de “super El Niño” pode se consolidar entre maio e julho deste ano. Dados da agência americana NOAA, que faz o monitoramento atmosférico dos oceanos, mostram uma probabilidade de 90% para a concretização do fenômeno até o segundo semestre de 2026.

Análises recentes sugerem que há cerca de 65% de chance de o evento atingir níveis extremos entre o fim de 2026 e o início de 2027, podendo ser um dos mais intensos já registrados da história.

Especialistas ressaltam que, embora o termo “super El Niño” não seja uma classificação oficial, ele reflete um evento muito forte, com potencial de agravar extremos climáticos em um contexto de aquecimento global.

O El Niño costuma deslocar os padrões de circulação atmosférica, diminuindo a formação de nuvens e precipitações. Para o Nordeste brasileiro, os efeitos mais prováveis envolvem redução de chuvas e aumento do risco de seca, especialmente no semiárido, o que pode afetar reservatórios, agricultura e abastecimento de água. 

Diante das previsões, autoridades e centros de monitoramento reforçam a necessidade de preparação antecipada para mitigar impactos sociais, econômicos e ambientais no Nordeste e em outras regiões do país. Em Santa Catarina, o governo decretou nesta segunda-feira (18) um estado de alerta climático válido por 180 dias devido à aproximação do fenômeno, que eleva o risco de eventos extremos, como enchentes, deslizamentos e inundações.

O iminente super El Niño pode, por si só, bater recordes históricos. “A confiança está claramente aumentando na possibilidade de ser o maior evento de El Niño desde a década de 1870”, escreveu Paul Roundy, professor de ciências atmosféricas e ambientais da University at Albany, na plataforma X em 5 de maio.

Caso todas as previsões se concretizem, o El Niño este ano pode rivalizar com o mais forte já registrado: o catastrófico evento de 1877, que desencadeou a fome global de 1876 a 1878. Essa fome matou mais de 50 milhões de pessoas, ou cerca de 3% da população mundial na época.

Embora os cenários sociais, políticos e econômicos tenham mudado desde o El Niño de 1877–1878, o evento que se aproxima ainda pode ameaçar seriamente a segurança alimentar, hídrica e econômica em todo o mundo, afirmou Deepti Singh, chefe do Climate Extremes and Impacts Lab na Washington State University, em entrevista ao The Washington Post.

“O que é diferente agora é que nossa atmosfera e nossos oceanos estão substancialmente mais quentes do que estavam na década de 1870, o que significa que os extremos associados podem ser ainda mais intensos”, disse Singh.