Para início de conversa, informo que este breve texto não tem como objeto o “juízo eleitoral” enquanto justiça especializada do poder judiciário. A expressão contida no título quer dizer outra coisa, que explicarei adiante. Mas já antecipo: o texto é sobre política.
Quero contextualizar este escrito pegando como exemplo o debate atual sobre o fim da jornada de trabalho 6×1. Essa é uma matéria sobre a qual, naturalmente, há disputa política, que, em tese e para resumir, funciona assim: trabalhadores, que estão exaustos com essa jornada, querem o seu fim. Empregadores/empresários, que visam o lucro com menor custo, são contra o fim da jornada.
Ocorre que existe, na política eleitoral, aquela que é uma das maiores preocupações: a (re)eleição. É aí onde entra o intitulado “juízo eleitoral”. O significado que o texto atribui à referida expressão é no sentido de avaliação político-eleitoral; de reflexão sobre a conveniência; de cálculo.
Com isso, quero dizer que, em razão de a matéria do fim da jornada 6×1 ter sensibilizado quase toda a sociedade brasileira, a classe política – refiro-me aos políticos que têm mandatos e a (pré)candidatos – está apalavrando aos quatro cantos que votaria (se estivesse no parlamento, como é o caso do pré-candidato patoense ao Senado Nabor Wanderley) e votará (é o caso de quem já está no parlamento, como o deputado e presidente da Câmara Hugo Motta) pelo fim da jornada.
É importante, para esse debate, lembrar de que o deputado Hugo Motta acumula votações no parlamento que foram prejudiciais aos trabalhadores e ao povo em geral. Cito, por exemplo, os casos da reforma trabalhista de 2017 e da reforma da previdência de 2019, para ficar só nestes dois.
Portanto, o juízo eleitoral é exatamente a reflexão conveniente por parte de políticos que, percebendo para onde o vento sopra (no caso em questão, para onde a vontade do povo sinaliza ir), seguem o fluxo e buscam a conveniência.
Sabe aquela frase que se diz quando alguém não tem coragem de adotar uma medida perigosa: “fulano tem juízo!”. Pois é exatamente disso que se trata, no caso dos políticos. Só que, no caso destes, eles têm juízo eleitoral, por isso votarão pelo fim da jornada 6×1.
29 de abril de 2025
Emanuel Escarião