Pergunta direta, resposta evasiva: Em Patos, Cícero Lucena é provocado sobre facções criminosas na Paraíba

Mudança de foco sobre investigações envolvendo a primeira-dama contrasta com discurso amplo sobre segurança pública e expõe estratégia para evitar desgaste político



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Durante agenda em Patos na manhã desta quinta-feira (16), o pré-candidato ao Governo da Paraíba, Cícero Lucena, foi confrontado com um dos temas mais sensíveis de sua trajetória recente: as investigações que envolveram sua esposa, a primeira-dama de João Pessoa, Lauremília Lucena.

A pergunta, feita pelo jornalista Jozivan Antero, mencionou diretamente o avanço das facções criminosas na Paraíba e citou a prisão da primeira-dama em operação da Polícia Federal, questionando como o pré-candidato pretende combater esse tipo de crime, caso eleito.

Apesar do teor objetivo e contextualizado da pergunta, Cícero Lucena não abordou o caso. Em sua resposta, preferiu deslocar o foco, classificando a atuação das facções como um “problema nacional” e atribuindo a responsabilidade ao Governo do Estado e ao Governo Federal. Também destacou ações de sua gestão municipal, como a instalação de câmeras de monitoramento com reconhecimento facial em João Pessoa.

A fala de Cícero Lucena ignorou completamente o elemento central do questionamento: as investigações que atingiram diretamente o núcleo político e familiar do ex-prefeito.

O questionamento feito pelo jornalista não surgiu de forma aleatória. Ele se ancora em investigações amplamente divulgadas por veículos de imprensa, incluindo reportagem da revista CartaCapital, que revelou o avanço do caso na Justiça.

Em setembro de 2025, Lauremília Lucena tornou-se ré sob suspeita de envolvimento em um esquema que teria ligação com a facção criminosa Nova Okaida. Segundo denúncia do Ministério Público Eleitoral, ela teria atuado como interlocutora em acordos que envolveriam apoio político em troca de cargos na estrutura da prefeitura. 

As investigações da Polícia Federal apontam que integrantes da organização criminosa teriam recebido indicações para funções públicas, enquanto, em contrapartida, a facção atuaria para favorecer eleitoralmente o grupo político, inclusive com práticas como intimidação de eleitores e restrição da atuação de adversários em áreas sob seu controle. 

Ainda segundo a PF, mensagens interceptadas indicariam que a primeira-dama teria papel ativo na articulação dessas nomeações, sendo citada como responsável por decisões relacionadas a cargos e interlocução com o grupo criminoso. 

Em fases anteriores da investigação, Lauremília chegou a ser presa, assim como outras pessoas ligadas ao núcleo político, incluindo a filha do então prefeito. Posteriormente, ela foi solta e responde ao processo, enquanto sua defesa nega qualquer envolvimento e afirma que as acusações serão contestadas na Justiça. 

Importante destacar que, conforme noticiado, Cícero Lucena não é formalmente investigado nesse caso específico.