Acesso apenas para a elite convidada, esquecimento da classe artística e enxurrada de comentários negativos nas redes sociais marcam a inauguração do Teatro Municipal de Patos

Evento exclusivo, obra inacabada e insatisfação popular expôs falhas na entrega de um dos projetos mais aguardados da cidade



Link copiado com sucesso!

O Teatro Ernani Sátiro foi inaugurado na noite desta quinta-feira (26), após 14 anos de espera da população, especialmente da classe cultural e artística do município. Uma cidade com mais de cem mil habitantes e nenhum espaço fechado à altura para receber peças teatrais tinha na chegada do tão sonhado teatro uma grande expectativa.

Foram anos de obras, investimentos milionários e frustrações, até que, aparentemente de forma repentina, surgiu uma data para a inauguração do equipamento cultural, surpreendendo a todos e gerando uma preocupação: haveria tempo hábil para que o teatro estivesse realmente concluído?

Finalmente, na noite desta quinta-feira, a resposta veio em forma de uma inauguração política e da entrega — visível e previsível — de um edifício inacabado. Ainda assim, isso aparentemente não abalou os sorrisos, discursos e poses para fotos da elite política paraibana, que promoveu um evento com seguranças na entrada para garantir o acesso ao prédio — construído com recursos públicos — apenas a convidados selecionados.

O espaço é limitado? Sim, isso é compreensível. Mas uma inauguração restrita, sem permitir o acesso da população sequer para conhecer o local, erguido com milhões de dinheiro público, não é aceitável. Mas, ao que tudo indica, o único ponto aparentemente “inaugurável” — o que sequer pode ser plenamente avaliado — foi o de apresentações. E um teatro não é apenas um salão com cadeiras, mas um ambiente técnica e minuciosamente planejado para espetáculos, considerando aspectos como acústica, iluminação, entre outros.

Quem não foi contemplado com um “ingresso” teve que se contentar com caixas de som instaladas do lado de fora, para ouvir a cerimônia, acompanhar uma apresentação de quadrilha junina ou assistir ao evento pelas redes sociais.

Os artistas, atores, atrizes, diretores de teatro patoenses, de ontem e de sempre, estavam na primeira fila para contemplar e serem homenageados pela simbologia de décadas de luta e pouco, pra não dizer nenhum, reconhecimento público e político? As imagens denunciaram que não.

E, para além dos microfones que amplificaram discursos políticos, vozes insatisfeitas ecoaram em comentários negativos e de decepção nas publicações da própria Secretaria Municipal de Cultura. Enquanto poucos aplausos surgiam, críticas se acumulavam, como alertas contundentes para a realidade problemática da entrega insuficiente de uma das obras públicas mais aguardadas da atualidade em Patos.

Restou frustração para os trabalhadores invisíveis da cultura, que seguem com o pires na mão, mendigando para fazer cultura de qualidade na cidade de Patos. Sobrou política para aqueles que não querem perder o timing da oportunidade, custe o que custar.

Wanessa Meira – Polêmica Patos