Tomara que os milhares de turistas esperados para o São João 2026 não saiam do Terreiro do Forró para “explorar” a cidade. A propaganda nas redes sociais pode até ser convincente mas, fora do roteiro oficial, a realidade percebida por muitos moradores pode ser bem diferente, a ponto de gerar frustração e, quem sabe, até reclamações no PROCON.
Na avaliação de quem vive o dia a dia em Patos, a cidade parece afundar, não literalmente por completo, mas em problemas recorrentes de infraestrutura, buracos e manutenção irregular. Em diversos bairros, especialmente fora das áreas centrais, há relatos frequentes de paralelepípedos soltos, trechos de asfalto comprometidos e vias que acabam oferecendo riscos a motoristas e trabalhadores que dependem do transporte diariamente.
Diante disso, surgem questionamentos inevitáveis: quem responde pelos prejuízos enfrentados pela população nessas situações? E por que essas demandas seguem sendo apontadas por moradores e sem soluções percebidas como suficientes?
Enquanto isso, a gestão municipal, liderada pelo prefeito Nabor Wanderley, direcionou esforços para o anúncio do São João 2026, com o evento de lançamento e ações promocionais. Para críticos da administração, o contraste entre o tom festivo, com iniciativas voltadas à crème de la crème patoense, e os problemas urbanos relatados no cotidiano reforça a sensação de distanciamento entre discurso e realidade.
A crítica, portanto, não é à festa, que é um símbolo cultural importante, mas à percepção de prioridades. Porque, no ritmo atual descrito por muitos moradores, fica a dúvida: até que ponto o brilho de um palco de milhões conseguirá ofuscar os problemas que seguem sendo literalmente abertos nas ruas da cidade?
Wanessa Meira – Polêmica Patos