Após plantar mais de 1 milhão de árvores, cidade brasileira escapa do calor extremo, recebe selo ‘Cidade Árvore do Mundo’ da ONU

Reconhecimento internacional colocou localidade em rede global de cidades arborizadas após investimentos contínuos em áreas verdes



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Goiânia passou a figurar entre as capitais brasileiras que mais investem em arborização urbana como estratégia para enfrentar episódios de calor intenso.

A capital de Goiás recebeu o reconhecimento internacional de “Cidade Árvore do Mundo”, concedido pelo programa Tree Cities of the World, coordenado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura em parceria com aArbor Day Foundation, após atender a critérios técnicos ligados à gestão e expansão de áreas verdes urbanas.

A certificação internacional inclui exigências como legislação específica para o manejo das árvores, inventário do patrimônio arbóreo, orçamento dedicado e ações permanentes de educação ambiental.

Com o título, Goiânia passou a integrar uma rede global de municípios que adotam políticas públicas voltadas à preservação e ampliação de florestas urbanas, ao lado de cidades de diferentes continentes.

O reconhecimento reflete um processo de arborização que se intensificou ao longo dos últimos anos.

Dados divulgados pela administração municipal indicam que a cidade ultrapassou a marca de 1 milhão de árvores distribuídas em ruas, praças, parques e bosques.

A estratégia priorizou áreas de grande circulação e regiões com menor cobertura vegetal, com o objetivo de reduzir os efeitos das ilhas de calor urbano.

Durante os meses mais quentes do ano, especialmente entre dezembro e março, grande parte do território brasileiro registra temperaturas elevadas.

Em centros urbanos, a combinação de asfalto, concreto e baixa presença de áreas verdes tende a intensificar a sensação térmica.

Nesse contexto, o poder público de Goiânia passou a tratar a arborização como parte da infraestrutura urbana, incorporando o plantio de árvores ao planejamento da cidade.

Arborização urbana e enfrentamento das ilhas de calor

Pesquisas em climatologia urbana apontam que a presença de árvores influencia diretamente o microclima das cidades, ao fornecer sombra e favorecer a evapotranspiração.

Segundo especialistas da área ambiental, esses fatores contribuem para a redução da temperatura do ar e do solo em áreas urbanizadas, além de melhorar o conforto térmico da população.

Em Goiânia, estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás indicam uma redução média de até 2,3 °C em regiões com maior cobertura vegetal.

O levantamento foi citado por órgãos municipais como um dos indicadores dos impactos da arborização sobre o clima urbano, especialmente em bairros com maior concentração de árvores adultas.

A capital conta atualmente com cerca de 32 parques e bosques distribuídos pelo território urbano.

Esses espaços concentram parte significativa das árvores plantadas e funcionam como áreas de resfriamento natural, segundo técnicos da área ambiental.

Além do efeito térmico, esses locais também são apontados como relevantes para a melhoria da qualidade do ar e para o escoamento da água da chuva.

Outro eixo do programa de arborização envolve a produção de mudas em viveiros municipais.

As espécies cultivadas são, em sua maioria, nativas do Cerrado ou adaptadas ao clima quente e seco da região.

A escolha, de acordo com engenheiros florestais que atuam no município, busca aumentar a taxa de sobrevivência das árvores e reduzir custos de manutenção a longo prazo.

Via CGP