Banco Master: Hugo Motta deve segurar CPI em ‘fila’; Número de Nikolas Ferreira aparece em contatos de Vorcaro e fraude financeira era apontada desde 2024

Bastidores apontam que postura de Motta revela uma tentativa de esfriar o tema; documentos mostram que Daniel Vorcaro tinha contato de Nicolas no WhatsApp e que Will Bank utilizava o dinheiro depositado nas contas de pagamento pelos seus clientes para adquirir CDBs



Link copiado com sucesso!

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sinalizado a aliados que não pretende instalar, ao menos neste momento, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o Banco Master.

A indicação ocorre apesar de o requerimento apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) já ter alcançado o número mínimo de assinaturas exigido pelo Regimento Interno da Casa.

Nos bastidores, a justificativa apresentada por Motta é a existência de uma fila de pedidos de CPI protocolados anteriormente.

Na prática, a sinalização indica uma postergação da CPI. Embora o número mínimo de assinaturas seja um requisito constitucional para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito, a instalação depende de ato formal do presidente da Câmara, responsável por autorizar a criação do colegiado e definir sua composição.

Parlamentares favoráveis à CPI avaliam que a postura de Motta revela uma tentativa de esfriar o tema e administrar o custo político de abrir mais uma frente de investigação no Legislativo. 

O requerimento apresentado por Rollemberg tem como objetivo apurar possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master, instituição que passou a ser alvo de questionamentos no Congresso após o surgimento de investigações, representações e pedidos de esclarecimento por parte de parlamentares.

Deputado Nicolas na mira da CPMI

Documentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS revelam que o número de telefone do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) aparece entre os contatos associados ao WhatsApp Business do empresário Daniel Vorcaro, investigado no escândalo dos descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas.

A presença do número na lista de contatos indica que o telefone de Nikolas Ferreira estava salvo ou associado à conta de WhatsApp analisada no momento da extração dos dados. Trata-se de um registro assimétrico: o documento mostra que Daniel Vorcaro tinha o contato do deputado em sua agenda, sem indicar que o parlamentar mantivesse o número do empresário salvo ou registrado em seus próprios contatos. O documento, contudo, não detalha, nesse recorte, a existência de troca de mensagens, chamadas ou o teor de eventual comunicação entre as partes, tampouco estabelece, por si só, a natureza da relação entre o empresário e o deputado.

Nos bastidores da comissão, parlamentares vêm apontando a possibilidade de conexão entre o esquema dos descontos ilegais no INSS e o escândalo envolvendo o Banco Master. Nesse contexto, deputados têm mencionado também a atuação de lideranças e fiéis ligados à Igreja Batista da Lagoinha. Nikolas Ferreira é membro e frequentador da igreja, relação pública e já mencionada pelo próprio parlamentar em diferentes ocasiões. Segundo deputados que acompanham os trabalhos da CPMI, um dos possíveis elos de ligação entre os casos seria a atuação de estruturas financeiras associadas à Igreja Batista da Lagoinha.

Fraudes do Will Bank desde 2024

Desde o ano de 2024, a Justiça brasileira já havia apontado que o Will Bank praticava “engenharia financeira fraudulenta”. O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação do banco digital do grupo Master.

O Will Bank utilizava o dinheiro depositado nas contas de pagamento pelos seus clientes para adquirir CDBs (Certificados de Depósito Bancário) da financeira do mesmo grupo econômico. Na prática, o dinheiro girava dentro da própria estrutura da instituição, inflando artificialmente os números. O dinheiro era aplicado sem conhecimento e autorização dos clientes, de acordo com relatos de ex-funcionários nos processos judiciais.

Documentos judiciais indicam também que um dos CNPJs do Will Bank, a Will S.A., opera sob o disfarce jurídico de Instituição de Pagamento (IP) para fugir da regulação bancária rígida, enquanto atua, na prática, como banco.

A reportagem entrou em contato com o Will Bank para solicitar esclarecimentos. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta. Caso a instituição se manifeste, a matéria será atualizada.

*Compilado ICL Notícias