No cabo de guerra eleitoral da Paraíba, Lula é o prêmio em disputa entre Veneziano e Nabor

Veneziano aposta na fidelidade, Nabor na força do filho, e a corda segue esticada



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A disputa entre Veneziano Vital e Nabor Wanderley lembra menos um debate programático e mais uma animada partida de “cabo de guerra”. De um lado, Veneziano, com a corda bem firme nas mãos e os pés fincados no chão da política estadual, sustentado por anos de protagonismo, mandato no Senado e presença constante nas articulações nacionais. Do outro, Nabor, empolgado, puxando com vigor pela fase de ouro do filho, Hugo Motta, hoje presidente da Câmara dos Deputados, posição que, convenhamos, dá uma musculatura política respeitável a qualquer “puxão”.

No meio desse jogo, não está apenas uma linha imaginária no chão: está o próprio presidente Lula, transformado simbolicamente na corda disputada. Afinal, Lula segue sendo um ativo político de alto valor, com popularidade suficiente para influenciar alianças, discursos e estratégias. Ter o presidente “mais para um lado” não garante vitória automática, mas certamente ajuda a ganhar tração no eleitorado.

Veneziano puxa com a tranquilidade de quem sempre esteve no mesmo time. Seu histórico de apoio a Lula é público, contínuo e coerente. Não é um namoro recente, nem uma aproximação de ocasião. É uma relação política construída ao longo de anos, com alinhamento ideológico e institucional. Por isso, o senador se sente confortável em dizer que a foto não muda a realidade: para ele, a corda já tem dono conhecido.

Nabor, por sua vez, puxa com entusiasmo. Não apenas pela própria trajetória como prefeito de Patos, mas pelo impulso que vem de casa. Hugo Motta no comando da Câmara é como ganhar reforço de peso no time: dá visibilidade, poder de articulação e sensação de que agora “vai”. O problema é que, no cabo de guerra da memória política, o eleitor pode não esquecer tão facilmente quem sempre puxou para qual lado.

E aí entra um detalhe que deixa a brincadeira ainda mais interessante: enquanto Veneziano sempre esteve no campo lulista, Hugo Motta, em diferentes momentos, flertou com o bolsonarismo. O episódio mais recente foi emblemático: a votação e aprovação do PL da dosimetria, que previa a redução de penas para o ex-presidente Jair Bolsonaro e para outros condenados pela tentativa de golpe de Estado. Um movimento que, para muitos, soou como um puxão de corda na direção oposta àquela onde hoje Lula está.

Resultado: o jogo fica curioso. Nabor puxa a corda com força, animado pelo prestígio do filho. Veneziano puxa com constância, sustentado por um histórico de fidelidade política. E Lula, a corda disputada, segue sendo esticado de um lado para o outro, enquanto observa quem realmente tem força, quem tem constância e quem apenas chegou agora à brincadeira.

No fim, como em todo bom cabo de guerra, não vence apenas quem puxa mais forte, mas quem tem melhor equilíbrio, mais preparo e, principalmente, quem não muda de lado no meio da partida. Na Paraíba, essa disputa ainda promete muitos puxões, escorregões estratégicos e, claro, boas doses de espetáculo político.

Wanessa Meira – Polêmica Patos