Nos últimos anos, a oligarquia Motta/Wanderley alcançou um poder político e econômico local que ultrapassou os limites do sertão paraibano. O prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), busca alçar novos voos e está de olho no Senado, onde quer se consolidar politicamente em nível nacional, tendo seu filho, Deputado Federal Hugo Motta (Republicanos), como presidente da Câmara dos Deputados.
Em 2024, Nabor entrou para seu 4º mandato como prefeito de Patos ao obter quase 75% dos votos, a maior votação da história do município. Sem uma oposição forte e tendo o juiz aposentado Ramonilson Alves como principal concorrente, Nabor fez sua campanha com uma estrutura esmagadora, milionária e contando com mais de 2.000 cabos eleitorais contratados pela gestão na Prefeitura Municipal de Patos.
Contando com o apoio do Governo do Estado da Paraíba, com o apoio do Governo Federal, tendo a sogra como deputada estadual, o filho deputado federal e com quase 100% de apoio dos vereadores da Câmara Municipal de Patos, Nabor Wanderley está na sua fase mais tranquila da vida pública, ao ponto de lançar a própria filha, Olívia Motta, como pré-candidata a deputada estadual em substituição a sogra, a experiente deputada estadual Francisca Motta (Republicanos).
Nabor Wanderley está tão confiante que nem mesmo a Operação Outside, deflagrada pelo Ministério Público Federal (MPF), que revelou um esquema de enriquecimento ilícito dentro da Prefeitura de Patos, tendo envolvimento de pessoas de confiança do prefeito, fez a gestão tomar medidas para afastar envolvidos, entre os quais dois secretários que seguem na administração. Apenas uma funcionária de menor relevância no esquema foi exonerada.
A operação revelou que várias obras de infraestrutura do Município de Patos tem qualidade reduzida, material de baixa qualidade, têm superfaturamento e são dirigidas para beneficiar empresas ligadas ao esquema criminoso. Até o momento, ninguém foi preso e a Outside se soma a outras operações que revelaram esquemas na gestão municipal, tais como Dom Bosco, Desumanidade etc.
Para concorrer ao cargo de senador, o prefeito deve se afastar do mandato em caráter definitivo seis meses antes das eleições, ou seja, em abril de 2026. Nabor deve passar o cargo ao vice-prefeito Jacob Souto (Rede). Dessa forma, Nabor passará a se dedicar inteiramente à pré-campanha e manter apenas a influência política na prefeitura, contando com o apoio do futuro prefeito Jacob.
Diante de tantas especulações, o fato é que as campanhas eleitorais de 2026 serão multimilionárias e o Republicanos está apostando pesado para ocupar cargos no Congresso Nacional. O filho do prefeito de Patos é o presidente do partido na Paraíba e não medirá esforços para ajudar o pai nesta empreitada rumo ao Senado, pois, caso contrário, Nabor poderá ficar sem a caneta de prefeito de uma das cidades mais importantes do estado e sem mandato.
Amargando mais de 80% de reprovação política diante da forma que tem comandado a Câmara dos Deputados com pautas impopulares e até vergonhosas, como o caso da “PEC da Bandidagem”, alguns temem que a rejeição de Hugo Motta acabe atingindo o pai, mas o fato é que Nabor segue com reuniões e angariando apoios de lideranças políticas em cidades diversas do Estado da Paraíba.
Para as eleições de 2026, de forma inédita, a cidade de Patos poderá ter pai, filho e filha disputando as eleições como senador, deputado federal e deputada estadual, respectivamente. O fato é que a oligarquia Motta/Wanderley poderá ter o ápice do poder político e não tem medido esforços para tal objetivo.
Jozivan Antero – Polêmica Patos
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