A mulher cigana que havia sido presa sob acusação de extorsão e estelionato foi posta em liberdade nesta segunda-feira, 13 de outubro. A advogada Danielle Marinho, responsável pela defesa, afirmou que a soltura só foi possível após uma articulação envolvendo órgãos públicos, movimentos sociais e pessoas engajadas na causa cigana.
Segundo Danielle Marinho, o episódio da prisão configura, em sua avaliação, um episódio de discriminação com viés religioso ou cultural. “A luta contra o preconceito ao povo cigano continua”, declarou. Ela acrescentou que um grupo de advogados vai ingressar com uma representação pelo ato considerado “discriminatório”.
Rosineide Pereira, de 59 anos, foi presa na última na quinta-feira (9), na cidade de Equador-RN, após ter prisão decretada pelo juiz Mathews Francisco Rodrigues de Souza do Amaral, da Comarca de Imaculada, pertencente a Vara Única de Água Branca-PB, acusada da prática de extorsão e estelionato por uma mulher que pagou por uma leitura de mãos. Ela foi transferida na sexta-feira (10) para o Presídio Regional Feminino de Patos, onde ficou o final de semana.
O Caso
A investigação teve início em 2021, quando uma mulher procurou a Delegacia de Polícia Civil de Imaculada (PB)afirmando ter sido vítima de engano e extorsão. Segundo o depoimento da mulher, Rosineide teria afirmado que a vítima estava sob influência de “trabalhos espirituais” feitos pela amante do marido, induzindo-a ao pagamento de R$ 2.000,00 para combater o suposto mal.
Em sua versão, a cigana negou qualquer prática ilícita, alegando que foi procurada pela própria mulher para uma leitura de mãos, trabalho que teria sido contratado por livre vontade, incluindo orientações para acender velas e fazer orações. Ainda assim, após a denúncia, Rosineide chegou a devolver a quantia paga.
Dias após o registro da ocorrência, a cigana foi localizada em Tabira (PE), após um contato telefônico sob o pretexto de uma nova consulta. Ao comparecer ao local combinado, foi surpreendida pela presença da polícia e conduzida à delegacia.
Mesmo após negar as acusações, o inquérito policial seguiu em andamento. Por levar uma vida nômade, comum entre os ciganos, Rosineide não foi mais localizada durante dois anos, o que fez com que o processo prosseguisse sem sua defesa. Em fevereiro de 2023, o juiz Mathews Francisco Rodrigues acolheu a denúncia apresentada pelo Ministério Público, e no ano seguinte, em 28 de fevereiro de 2024, decretou sua prisão preventiva, considerando-a foragida.
Ouça a advogada Danielle Marinho:
*Com informações do Portal 40 Graus