Em Patos, cidadão se revolta com desperdício de água e faz vídeo registrando o momento

Enquanto bairros sofrem com falta d'água e a Barragem da Farinha já opera em volume morto, vídeo denúncia mostra mulher regando plantas e lavando calçada



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Em um vídeo gravado nesta sexta-feira (10), um morador do bairro Monte Castelo, em Patos, registra uma cena que ilustra a tensão crescente sobre o abastecimento de água na cidade: uma mulher, em frente a uma residência em outro bairro da cidade, rega plantas e lava a calçada, numa clara ação de desperdício do recurso que já é escasso. O autor da filmagem, visivelmente indignado, critica o fato de que “enquanto na minha casa não tem água, ela está regando planta e lavando a calçada”.

A denúncia se torna ainda mais contundente se confrontada com os dados recentes do sistema de abastecimento local. Em entrevista recente ao Polêmica, Jonatas Raulino, gerente regional da CAGEPA/Espinharas, disse que os mananciais da região estão em níveis críticos e existe a possibilidade de racionamento por rodízio entre bairros se a situação se agravar.

Segundo informações da Cagepa, a Barragem da Farinha, principal reservatório que abastece Patos, está com apenas cerca de 5% da capacidade total e já opera em volume morto, o que significa que o nível de água está abaixo do ponto ideal para captação e tratamento.

Raulino destacou que a redução do volume útil da Barragem da Farinha vem sendo agravada pela alta evaporação e pelo consumo elevado. “Já é considerado volume morto. Estamos enfrentando dificuldades para tratar a água, pois há aumento de material orgânico e baixa oxigenação. Mesmo com os esforços de remanejamento entre os sistemas, a situação exige consciência e colaboração da população”, alertou o gerente.

Além da Farinha, outros reservatórios da região também registram níveis alarmantes: o Açude do Jatobá está com cerca de 18% da capacidade, e a Barragem da Capoeira, com 8,5%. Em bairros como Bela Olinto, Jatobá e Monte Castelo, moradores relatam interrupções frequentes no fornecimento.

Enquanto o poder público busca medidas emergenciais, a cena do desperdício registrada nesta sexta-feira reabre o debate sobre o papel da população no uso racional da água.

No município de Patos, está em vigor a Lei Municipal nº 4.930/2017, que proíbe expressamente o uso de água tratada canalizada para lavar calçadas e vias públicas. A norma, aprovada pela Câmara Municipal, visa combater práticas de desperdício, sobretudo em períodos de escassez.

A lei, de autoria do vereador Hugo Sousa e sancionada pelo então prefeito Dinaldinho, diz que cabe ao Poder Executivo a fiscalização e aplicação de advertências e/ou multas, assim como a promoção de ações educativas para coibir o desperdício e conscientizar a população.

Em tempos de barragens quase secas, cada gesto individual ganha peso coletivo. A denúncia feita no Monte Castelo revela um contraste que reflete a urgência de uma mudança de comportamento: enquanto a natureza cobra seu preço, a conscientização e o cumprimento das leis locais podem ser o primeiro passo para evitar o colapso no abastecimento de água em Patos.