Audiência pública em Patos discute regulamentação do transporte por aplicativos

Embate evidencia não apenas a disputa por espaço no mercado, mas também um conflito social que toca diretamente o cotidiano da população de Patos



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A noite desta quinta-feira (11) foi marcada por um debate acalorado na Câmara Municipal de Patos. O tema, que já faz parte da rotina de milhares de cidadãos, foi a regulamentação do transporte de passageiros por aplicativos.

De um lado, os mototaxistas tradicionais, representados por José Marcos, que se posicionou em defesa da categoria. “Vou defender a minha categoria que está sendo prejudicada por uma concorrência desleal”, afirmou, destacando que muitos motociclistas de aplicativo trabalham sem habilitação ou usando veículos diferentes dos cadastrados.

Do outro lado, os motociclistas que aderiram à tecnologia pedem apenas o direito de trabalhar sem perseguição. Douglas, que falou em nome dos profissionais de aplicativos, resumiu em poucas palavras o sentimento de quem depende das corridas para sobreviver: “Não é justo a gente trabalhar e ser multado por perseguição”.

O embate evidencia não apenas a disputa por espaço no mercado, mas também um conflito social que toca diretamente o cotidiano da população de Patos. Afinal, os aplicativos se popularizaram pelo preço mais baixo e pela praticidade, ao mesmo tempo em que os mototaxistas defendem sua legalidade e tradição no transporte da cidade.

Atento a essa tensão, o presidente da OAB Patos, Cleodon Bezerra, fez um apelo pela paz e pelo diálogo. “Diante da possibilidade de um conflito real entre as categorias, a Ordem se coloca à disposição para pacificar. Não pode existir mais esse embate, que pode ficar maior e até incontrolável”, alertou.

Já o vereador Rafael da Civil, propositor da audiência, reforçou que cabe ao Executivo enviar ao Legislativo uma proposta de regulamentação. A ausência de representação da STTRANS na audiência foi sentida, já que a autarquia é responsável pelo trânsito e transporte no município.

Ao final, uma comissão foi formada para construir um projeto de regulamentação que será entregue ao prefeito Nabor Wanderley. A expectativa é que a iniciativa traga clareza às regras e, sobretudo, devolva a tranquilidade a duas categorias que, mais do que rivais, compartilham a mesma luta: garantir o pão de cada dia.