No bairro Brasília, em Patos, cães de rua invadiram o hall de entrada de um prédio localizado na Rua Ana Leite Nóbrega, nesta semana. Segundo uma moradora, que não quis se identificar, os animais aproveitaram um momento de descuido e entraram no edifício, onde destruíram almofadas que estavam no local.
Moradores relatam que a presença de cães circulando livremente é frequente na região. Há registros de ataques a alunos de um colégio privado nas proximidades, além de incidentes envolvendo motoqueiros que trafegam pela Avenida Lagoa dos Patos. Pessoas que fazem caminhadas pela localidade também afirmam já terem sido intimidadas pelos animais, que costumam se agrupar em matilhas que podem chegar a dezenas de cachorros.
Enquanto a cidade se vira, a Prefeitura de Patos vira as costas
A cena é a mesma todos os dias: cães abandonados perambulando pelas ruas, adoecendo, atacando ou simplesmente tentando sobreviver. E a Prefeitura? Segue se apoiando em ações paliativas, empurrando o problema com a barriga, enquanto a população parece não saber cobrar de quem realmente deveria agir.
No meio desse cenário, quem se dispõe a alimentar e medicar os animais com recursos do próprio bolso, movido pelo simples sentimento de piedade, acaba sendo hostilizado. A lógica é cruel: culpar quem tenta amenizar o sofrimento, em vez de unir forças para pressionar o poder público.
Enquanto cidadãos improvisam soluções e brigam entre si, a Prefeitura de Patos trava batalhas judiciais, inclusive no Supremo Tribunal Federal, para não construir o Centro de Controle de Zoonoses. Ao mesmo tempo, ignora propostas de relativo baixo custo que poderiam mudar o quadro, como a fábrica de ração e o santuário de animais de rua, sugeridos pelo vereador Rafael da Civil.
A impressão que fica é uma só: o prefeito Nabor Wanderley parece não se importar com o problema, a menos que seja ele a próxima vítima de um ataque. Até lá, as ruas seguem cheias de cães, os conflitos entre vizinhos aumentam e a omissão continua sendo a política oficial.