O ex-governador de São Paulo João Doria homenageou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos – PB), em jantar na sua casa, nos Jardins, área nobre da capital paulista, na noite desta segunda (30).
Em meio à crise entre o Congresso e o governo do presidente Lula, Doria recebeu também 50 empresários, além do governador do Rio, Cláudio Castro, e do vice-governador paulista, Felício Ramuth.
Apesar de ter sido marcado com antecedência, o evento é visto como uma demonstração de apoio dos empresários, sobretudo ligados ao setor financeiro, ao presidente da Câmara, no momento seguinte à derrubada da elevação do IOF, imposto sobre movimentações financeiras, na maior derrota política da gestão do presidente Lula.
Este foi o segundo encontro de Motta com o ex-governador este mês. No dia 11, ambos participaram do 2º Brasília Summit, promovido pelo Lide, grupo empresarial de Doria, no Hotel Brasília Palace, na capital federal.
No jantar, Hugo Motta comentou a decisão do Congresso Nacional de derrubar três decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que aumentavam o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
“A polarização existe, mas precisamos descobrir o que podemos fazer pelo país. Nos temos esse espírito colaborativo, e essa vontade não está alterada. É da democracia discordar”, disse sobre a decisão. “A votação da última semana foi um retrato de um parlamento muito aguerrido, pronto para fazer um enfrentamento a favor do país”.
Estavam na reunião — além de Doria e Motta —, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes; o ex-prefeito da cidade, Gilberto Kassab; o ex-governador do estado de São paulo, Rodrigo Garcia; o ex-Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, o deputado federal Antônio Brito; e o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Antônio Alban.
Em nota divulgada durante o jantar, Motta ainda disse que não é vontade dos políticos que revogaram o decreto criar “instabilidade”.
“Não queremos arroubos e nem criar em instabilidade. Momentos como esse são importantes”, disse.
Na última semana, o Congresso Nacional votou pela revogação do aumento de importo feito por meio de decreto presidencial. Segundo o Ministério da Fazenda, sem o IOF mais alto, será necessário ampliar o bloqueio de gastos no Orçamento de 2025 para evitar o descumprimento da meta fiscal.
Antes da votação, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, havia alertado que a derrubada da medida exigirá novos cortes de despesas. “Prejudicando programas sociais e investimentos importantes para o país, afetando inclusive a execução das emendas parlamentares”, afirmou.
*Com informações do O Globo e G1